
Maputo, 01 abr 2026 (Lusa) – As receitas da exportação de alumínio por Moçambique, totalmente dependente da Mozal, maior indústria nacional e que encerrou em 15 de março, atingiram máximos de 1.347 milhões de dólares (1.172 milhões de euros) em 2025, segundo dados oficiais.
De acordo com dados compilados pela Lusa a partir do mais recente relatório do Banco de Moçambique que detalha as exportações, de janeiro a dezembro de 2025, esse volume representa um crescimento de 20% face aos 1.126 milhões de dólares (980 milhões de euros) em todo o ano de 2024, e compara ainda com os 1.101 milhões de dólares (959 milhões de euros) em 2023.
A exportação de barras de alumínio por Moçambique tem vindo a crescer e o banco central explicou, num relatório anterior, que esse aumento foi “impulsionado tanto pelo aumento dos preços como pelo crescimento do volume exportado”.
A australiana South32 confirmou em 16 de março que a Mozal, maior indústria moçambicana, está em regime de manutenção e conservação desde o dia anterior, prevendo gastar 52,4 milhões de euros com a suspensão da fundição, incluindo no despedimento dos trabalhadores.
“Nos últimos seis anos, envolvemo-nos extensivamente com o Governo da República de Moçambique, com a Eskom [sul-africana que compra energia a Moçambique e a vendia à fundição] e com outras partes interessadas, mas não conseguimos garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível para a Mozal para além de março de 2026”, disse o diretor executivo da South32 (que detém 63,7% da fundição), Graham Kerr, citado numa informação divulgada pela empresa.
Com o regime em que a fundição, uma das maiores em África – com mais 1.000 trabalhadores diretos e 4.000 indiretos -, está desde domingo, sem produção, a South32 referiu hoje que prevê gastar 60 milhões de dólares (52,4 milhões de euros), incluindo na “rescisão de contratos”, custando só a manutenção, anualmente, cinco milhões de dólares (4,4 milhões de euros).
“Embora este não seja o desfecho que desejávamos, orgulhamo-nos da história e da contribuição significativa que a Mozal deu à comunidade local e à economia moçambicana nos seus 25 anos de operação”, acrescentou Kerr, na mesma informação.
Pelo menos cinco empresas encerraram pouco antes de a fundição suspender a atividade e dezenas de outras podem paralisar as atividades no Parque Industrial de Beluluane, sul de Moçambique, devido à suspensão da Mozal, segundo a empresa que gere aquela infraestrutura.
“Nós estimamos um universo de 25 empresas que prestam bens e serviços à Mozal. Já nos foi comunicado que a maioria destas empresas, em função daquilo que é a paralisação das atividades na Mozal, também estão a considerar acionar os mecanismos na mesma proporção”, disse à Lusa em 13 de março Onório Manuel, diretor-geral da Mozparks, entidade que gere aquele parque industrial, o maior do país, a 20 quilómetros de Maputo.
Com a saída da fábrica em Moçambique, prevê-se agora um impacto “nefasto” no ritmo de crescimento e desenvolvimento do parque, que estava, segundo o responsável, “muito acelerado e atraindo cada vez mais indústrias”.
“Na cifra da indústria transformadora, no Produto Interno Bruto, [a Mozal] contribuía com uma média de 49%, ou seja, o PIB de Moçambique é de 16 mil milhões de dólares [13,8 mil milhões de euros], a indústria transformadora contribui em 10%. Estamos a falar de 1,6 mil milhões de dólares [1,3 mil milhões de euros] de contribuição da indústria. Quase a metade disso é a contribuição da Mozal, então, até o PIB de Moçambique, sobretudo no setor social, vai decrescer”, concluiu Onório Manuel.
A South32 considerou anteriormente “totalmente insustentável” a tarifa de energia proposta à fundição de alumínio Mozal, em Maputo, justificando assim o seu encerramento, sem descartar reativar a maior indústria moçambicana, se as condições mudarem.
Numa recente chamada com investidores australianos, a cuja transcrição a Lusa teve acesso e que envolvia a apresentação dos últimos resultados da South32, o diretor executivo, Graham Kerr, explicou que a “única oferta formal” para fornecimento de energia pela elétrica sul-africana Eskom foi de quase 100 dólares por megawatt-hora (MWh), quando, “fora da China, menos de 1%” das fundições têm contratos acima de 50 dólares por MWh.
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