Israel nega responsabilidade por explosão que matou ‘capacetes azuis’ no Líbano

Telavive, 01 abr 2026 (Lusa) — O exército de Israel afirmou que o incidente em que dois soldados da força de paz da ONU no Líbano (FINUL) “não foi causado por atividades” dos militares israelitas.

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) “concluíram a investigação sobre o incidente de ontem [segunda-feira], no qual foi noticiado que vários soldados da FINUL foram mortos por um engenho explosivo na zona de Bani Hayan”, declarou o exército, numa mensagem publicada nas redes sociais.

Dois capacetes azuis indonésios morreram na segunda-feira numa explosão, que poderá ter sido causada por uma mina, disse uma fonte de segurança da ONU à agência de notícias France-Presse (AFP).

Na noite de domingo, outro militar indonésio foi morto, também no sul do Líbano, vítima de um possível disparo de um tanque israelita, disse a mesma.

O exército de Israel acrescentou que, após uma “análise operacional minuciosa”, conseguiram determinar que as suas tropas “não plantaram quaisquer engenhos explosivos na área” e que “nenhum militar das IDF estava presente” na zona.

As IDF sublinharam que as ações no Líbano são contra a milícia xiita pró-Irão Hezbollah e não contra a missão da ONU, as Forças Armadas do país ou a população libanesa.

O exército israelita instou a FINUL a abandonar “zonas de combate onde as Forças de Defesa de Israel emitiram ordens de evacuação para a população civil para sua própria segurança”.

A FINUL, que opera numa região no sul do país, junto à fronteira com Israel e supostamente vedada tanto aos militares israelitas como aos combatentes do Hezbollah, termina o mandato este ano, após quase 50 anos no terreno.

Israel lançou uma invasão no sul do Líbano, reivindicando uma alegada zona de segurança até ao rio Litani.

Na terça-feira, dez países europeus, incluindo Portugal, e a União Europeia (UE), exigiram que seja garantida a “segurança e proteção” da força de paz da ONU no Líbano.

Na declaração conjunta, os 10 países europeus e a UE reafirmam o “forte apoio ao mandato da Força Interina das Nações Unidas no Líbano, no sul do Líbano”, e apelam para que se garanta que “os canais de desagravamento permaneçam abertos”.

Os ministros denunciam ainda a “perda inaceitável de vidas”.

Na declaração, apelam também a Israel “para evitar qualquer escalada adicional do conflito, incluindo através de uma operação terrestre em território libanês”, assim como condenam “veementemente os ataques do Hezbollah contra Israel em apoio ao Irão”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu na terça-feira de emergência após estes desenvolvimentos no território libanês e a ONU anunciou uma investigação para determinar os contornos dos mais recentes incidentes mortais.

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