Médio Oriente: Presidente sírio prefere manter-se neutro no conflito na região

Londres, 31 mar 2026 (Lusa) – O presidente sírio, Ahmad al-Sharaa, afirmou hoje em Londres que a Síria pretende manter-se fora do atual conflito entre os Estados Unidos e Israel e o Irão e recomendou uma solução negociada.

Durante um evento organizado pelo centro de estudos britânico Chatham House, Al-Sharaa disse que, “a menos que a Síria seja alvo de uma das partes, permaneceremos fora de qualquer conflito”.

“Já chegámos ao limite, pagámos um preço muito alto. Não estamos preparados para passar por outra experiência de guerra”, vincou, a propósito dos 14 anos de guerra civil.

Segundo o chefe de Estado interino, Damasco está concentrado em “reconstruir o país, receber os refugiados que foram deslocados” e “transformar a Síria num polo económico que aproveite a sua localização estratégica”.

Al-Sharaa sublinhou que Damasco prefere “a via da negociação à força militar”, advertindo que um conflito direto “apenas traria mais perigos” à região.

Sobre as relações com Teerão, o presidente acusou o Irão de ter tido um papel “destrutivo” no conflito sírio nas últimas quatro décadas, afirmando que “as intervenções iranianas ajudaram o antigo regime a deslocar milhões de sírios”. 

Questionado sobre o envio de armas iranianas para o Hezbollah no Líbano, o presidente sírio assegurou que “é dever do Estado sírio proteger as fronteiras e impedir o contrabando de armas e de outros bens”.

Relativamente à política externa, Al-Sharaa disse desejar “relações ideais com todos os países vizinhos”, incluindo Líbano, Iraque, Turquia, Arábia Saudita e também potências ocidentais como o Reino Unido, França, Alemanha e Estados Unidos.

Com Israel, o presidente confirmou a existência de contactos diretos no passado, mas indicou que o diálogo foi interrompido depois de uma mudança de posição israelita.

O Presidente sírio esteve hoje em Londres, onde se encontrou com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, depois de ter visitado Berlim e o chanceler alemão, Friedrich Merz, na véspera.  

Este antigo líder rebelde islâmico, de 43 anos, derrubou o regime do ditador Bashar al-Assad em dezembro de 2024, tendo criado um governo de transição.

Nos últimos 15 meses conseguiu estabelecer relações diplomáticas com governos ocidentais e já fez várias viagens ao estrangeiro, principalmente aos Estados Unidos, França e Rússia, tendo negociado o levantamento de várias das sanções internacionais e mobilizado ajuda para a reconstrução do país.

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