Mais de 30 mil atendidos nos hospitais moçambicanos por consumo de droga em 2025

Maputo, 31 mar 2026 (Lusa) – O número de pessoas atendidas nos hospitais moçambicanos por consumo de drogas subiu 38% em 2025, para 32.281, com 617 detidos e mais de quatro mil toneladas apreendidas, avançou hoje o Governo.

“Foram atendidos 32.281 pacientes com perturbações mentais e de comportamentos decorrentes do consumo de substâncias proibidas, contra 23.412 registados em 2024, o que corresponde a um aumento significativo na ordem de 38%”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no fim de uma sessão do órgão, em Maputo.

O Governo moçambicano apreciou hoje o relatório anual de evolução do tráfico e consumo ilícito de drogas registado no país em 2025, a submeter ao parlamento, adiantando que, no ano passado, as autoridades apreenderam um total de quatro toneladas e 414 quilogramas de diversas drogas.

No plano judicial, disse Impissa, em 2025, foram detidos 617 cidadãos, destes 604 nacionais e 13 estrangeiros, contra 613 em 2024, adiantando que foram condenados a internamento nos estabelecimentos penitenciários 308 cidadãos nacionais e estrangeiros.

Em 2025, as autoridades moçambicanas realizaram pelo menos 4.500 visitas domiciliárias de apoio psicossocial e ministraram cerca de 60 mil palestras sobre os malefícios do uso de drogas, a mais de 2.790.000 pessoas, um crescimento de 49% face ao ano anterior, conforme dados adiantados pelo porta-voz do Conselho de Ministros.

Moçambique é apontado por várias organizações internacionais como um corredor de trânsito para o tráfico internacional de estupefacientes com destino à Europa e Estados Unidos, sobretudo de heroína oriunda da Ásia, mas as apreensões de cocaína oriunda da América do Sul têm também aumentado.

Em fevereiro, o Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD) tinha referido o aumento do número de pessoas atendidas nos hospitais moçambicanos por consumo de drogas, com 2.500 toxicodependentes reintegrados nas famílias, admitindo um aumento de consumo pelos jovens.

Na altura, o GCPCD indicou estar a avançar com o plano estratégico deste ano para travar o consumo de droga, com a direção do órgão a pedir que se aposte no fortalecimento das ações de prevenção, com enfoque especial nos adolescentes e jovens, nas comunidades mais vulneráveis e no reforço da articulação entre os setores do Estado e a sociedade civil.

O gabinete quer também ver melhorias na capacidade institucional, tanto em recursos humanos como materiais, pedindo aposta numa comunicação estratégica eficaz, capaz de promover mudanças de comportamento e reforçar a consciência social sobre riscos associados à droga.

Em 18 de novembro do ano passado, as autoridades nacionais admitiram que Moçambique apreendeu e incinerou drogas avaliadas em 21,6 milhões de euros em 2024, mas enfrenta desafios significativos no combate ao tráfico, enquanto país de trânsito de redes internacionais.

Em 22 de dezembro de 2025, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) anunciou um apoio para a revisão da lei moçambicana sobre drogas, para reforçar a resposta do país ao tráfico e crimes relacionados.

PME // MLL

Lusa/Fim