
Lisboa, 30 mar 2026 (Lusa) — O ministro da Educação admitiu hoje que nem todos os alunos sem professor têm tido aulas através de horas extraordinárias dos docentes, apesar do investimento de “milhões de euros” para garantir aulas a esses alunos.
“Não posso garantir que todos os alunos que estão sem professor tenham aulas com horas extraordinárias. Mas posso dizer que estamos a investir milhões de euros em horas extraordinárias para garantir que os alunos tenham essas aulas”, disse Fernando Alexandre após uma reunião com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) sobre o processo de transferência de competências para os órgãos municipais no domínio da Educação.
A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) estimou hoje que no segundo período de aulas houve todas as semanas cerca de 40 mil alunos sem pelo menos um professor, resultado da falta de docentes nas escolas.
Questionado sobre o assunto, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, manteve que “a informação sobre os alunos que estão sem professores não tem correspondência com os alunos sem aulas”, salientando que foram implementadas várias medidas, nomeadamente as horas extraordinárias, para garantir que os alunos continuam a ter aula na ausência de um professor.
“Todos os dias temos professores que não podem dar aulas ou porque se reformaram ou porque mudaram de emprego ou porque estão doentes. E todos os dias nós temos alunos sem professor por essa razão. O que não quer dizer que estejam sem aulas”, defendeu, adiantando que, nesses casos, os alunos “continuam a ter aulas com outros professores que são remunerados com horas extraordinárias”.
No entanto, admitiu que ainda não consegue “verificar de forma rigorosa” a aplicação dessa medida em todas as escolas.
Fernando Alexandre acrescentou “que as horas extraordinárias estão a resolver grande parte do problema” e que “isso é reconhecido pelos sindicatos”.
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