
Maputo, 30 mar 2026 (Lusa) — Moçambique gastou 1.142 milhões de dólares (994 milhões de euros) na importação de combustíveis em todo o ano passado, fatura que anualmente tem vindo a cair, segundo dados oficiais.
De acordo com um relatório estatístico do Banco de Moçambique, com informação de janeiro a dezembro, desse total, só em gasóleo, o país importou 771,6 milhões de dólares (671,5 milhões de euros), e em gasolina o equivalente a 326,7 milhões de dólares (284,3 milhões de euros).
Globalmente, o valor das importações de combustíveis caiu 5% em 2025, face aos 1.198 milhões de dólares (1.042 milhões de euros) em 2024 — que já então tinha sido o valor mais baixo desde a pandemia de covid-19, segundo dados do banco central -, que compara ainda com os 1.417 milhões de dólares (1.233 milhões de euros) em 2023.
Estes valores ficam longe dos 1.966 milhões de dólares (1.710 milhões de euros) gastos com as importações de combustíveis em 2022.
O secretário de Estado do Tesouro e Orçamento garantiu em 10 de março que Moçambique tem 75 mil toneladas de combustíveis, quantidade considerada suficiente até princípios de maio, após o Irão encerrar o estreito de Ormuz, e adquirida a preços anteriores ao início do devido ao conflito no Médio Oriente.
Acrescentou que cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam pelo estreito de Ormuz, vindos do Médio Oriente.
Os combustíveis representaram quase metade dos quase 2.396 milhões de dólares (2.085 milhões de euros) de bens intermédios importados por Moçambique de janeiro a dezembro de 2025, que incluem ainda energia elétrica, alumínio, material de construção, óleo e lubrificantes, adubos e fertilizantes, cimento ou alcatrão.
O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afirmou em 23 de março não haver necessidade de voltar a financiar as importações de combustíveis, apesar da crise de fornecimento provocada pelo conflito no Médio Oriente.
“Por enquanto, não vemos nenhuma necessidade para que isso seja a nossa postura”, disse o governador do banco central, questionado sobre o assunto pelos jornalistas no final da reunião do Comité de Polícia Monetária (CPMO), que se realizou hoje em Maputo.
“A banca tem feito um bom trabalho, não é perfeito, mas ela tem feito um trabalho que tem-nos permitido garantir que o financiamento de combustível continue razoavelmente bem e neste momento não vemos nenhuma necessidade de mudar essa postura”, afirmou Zandamela, questionado ainda sobre as dificuldades no acesso a divisas, para essas importações.
Moçambique enfrentou nos primeiros meses de 2025 uma crise no abastecimento de combustíveis, associada à falta de divisas no mercado, levando o Banco de Moçambique a anunciar medidas para fomentar a disponibilidade de moeda estrangeira na banca para cobrir necessidades de importações.
O Banco de Moçambique anunciou 2023 que deixava de comparticipar as faturas de importação de combustíveis do país, considerando que os valores já podiam ser suportados pelos bancos comerciais.
A comparticipação remonta a 2005 e chegou a ser de 100% depois de 2010, porque havia “grandes montantes, que variavam entre a 10 a 20 milhões de dólares numa só fatura”, tornando-as incomportáveis para um banco ou conjunto de bancos suportá-la, explicou na altura Silvina de Abreu, administradora do banco central.
Nos últimos anos, “as faturas são bastante fragmentadas”, às vezes da ordem de “um milhão de dólares ou menos” o que permite que bancos de menor dimensão possam entrar “neste mercado de financiamento para combustíveis”, acrescentou então.
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