
Jerusalém, 30 mar 2026 (Lusa) – O Parlamento de Israel aprovou hoje um orçamento de emergência para 2026, que aumenta consideravelmente as despesas com a Defesa, numa altura em que o país está envolvido numa guerra em múltiplas frentes.
“Mais de 30 mil milhões de shekels [8,3 mil milhões de euros] foram adicionados ao orçamento do Ministério da Defesa, elevando-o para mais de 142 mil milhões de shekels [39,3 mil milhões de euros]”, afirmou o Knesset.
Em comunicado, o Parlamento israelita justificou o aumento com a ‘Operação Rugido do Leão’, o ataque conjunto com os Estados Unidos contra o Irão, lançado em 28 de fevereiro.
Os membros do Knesset aprovaram o orçamento por 62 votos e 55 votos contra.
O despesa total proposta para 2026 ascende a aproximadamente 850 mil milhões de shekels (235 mil milhões de euros).
Os gastos com a Defesa do país têm vindo a aumentar constantemente desde o início da ofensiva na Faixa de Gaza, após o ataque do movimento fundamentalista palestiniano Hamas contra o território israelita, a 07 de outubro de 2023.
Israel também tem vindo a realizar ataques no sul do Líbano.
Durante os debates que antecederam a votação, o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, falou de um “ponto de viragem histórico” para Israel.
Um momento que irá redefinir “tanto a nossa abordagem à segurança como à nossa economia”, defendeu o governante de extrema-direita.
“Temos a capacidade de remodelar o Médio Oriente. Este orçamento coloca a nação numa posição vencedora”, proclamou Smotrich.
Por outro lado, o líder da oposição, Yair Lapid, considerou o orçamento “o maior roubo da história do Estado”.
“Seis mil milhões de shekels — fundos da coligação de que este governo está a apropriar-se para si — para corrupção e evasão ao serviço militar”, afirmou.
“O povo israelita não se deixa enganar. Compreende que este orçamento é uma dádiva para os corruptos e para aqueles que se esquivam às suas responsabilidades — que estão a festejar à nossa custa”, acrescentou Lapid.
No início desta semana, o líder da oposição criticou duramente o Governo pela forma como lidou com a guerra no Irão, denunciando em particular os atrasos na aprovação de uma lei que permitisse a mobilização de judeus ultraortodoxos, que estão atualmente largamente isentos do serviço militar.
A lei responde às exigências de uma grande maioria de israelitas, que se opõem cada vez mais às isenções concedidas aos ultraortodoxos.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que conta com os aliados nos partidos ultraortodoxos para se manter no poder, está a manobrar para atrasar a adoção da legislação.
O aumento das despesas com a defesa levará a uma redução de 3% nos outros ministérios, destacou ainda Yair Lapid.
Mas o governo de Netanyahu aprovou um aumento significativo, mais de 652 milhões de euros, do financiamento para as escolas privadas controladas pelos ultraortodoxos.
O financiamento dos colonatos permanece inalterado, de acordo com um relatório do organização não governamental Peace Now, que denunciou a medida como “roubo descarado de fundos públicos” em benefício de um pequeno grupo.
A 04 de Dezembro, o governo adotou a decisão de investir mais de 761 milhões de euros nos próximos cinco anos no desenvolvimento de colonatos na Cisjordânia ocupada, que são ilegais segundo o direito internacional.
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