Governador do Banco de Moçambique afasta intervenção no mercado cambial

Maputo, 23 mar 2026 (Lusa) – O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, afastou hoje um cenário de intervenção no mercado cambial, depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter sugerido, em fevereiro, uma convergência entre as taxas do mercado oficial e paralelo.

“A nossa política tem sido esta, de não intervenção no mercado cambial. E não vemos nenhuma razão [para intervir]. E diria mais, todo esse processo, é preciso dizer, nós, tradicionalmente, como instituição, fomos uma instituição que tínhamos uma tradição de presença contínua no mercado cambial. Aprendemos muito sobre isso. Aprendemos e tomámos a decisão difícil de sair, não foi fácil, porque a tentação é muito forte, foi preciso muita coragem para sair”, disse Zandamela.

O governador do banco central foi questionado sobre o assunto pelos jornalistas no final da reunião do Comité de Polícia Monetária (CPMO), que se realizou hoje em Maputo, sobre uma intervenção no mercado cambial, que não acontece há praticamente três anos.

O FMI pediu em fevereiro a Moçambique contenção na folha salarial da função pública, uma reforma estrutural fiscal urgente e flexibilidade cambial, aproximando as taxas oficiais do mercado paralelo, entre outras medidas.

“Uma maior flexibilidade cambial ajudaria a reforçar a posição externa, a restabelecer o equilíbrio no mercado cambial, a reduzir o fosso entre as taxas oficiais e paralelas e a melhorar a alocação de recursos. As medidas de controlo cambial não devem ser utilizadas como substituto de ajustamentos justificados na política macroeconómica. A sua remoção deve ser gradual e cuidadosamente planeada para evitar interrupções”, lê-se nas recomendações do FMI após as consultas regulares de 2025.

No documento, aprovado em 13 de fevereiro pelo FMI, refere-se que o “compromisso das autoridades” moçambicanas com reformas fiscais e governação “é encorajador, mas a implementação será fundamental”, face às dificuldades, nomeadamente de crescimento económico e financiamento, afirmando que a política monetária moçambicana “deve manter-se restritiva”, mas que “o afrouxamento monetário arrisca agravar a escassez de divisas” atual, defendendo políticas cambiais que apoiem “o ajustamento externo e a competitividade”.

“E agora que conseguimos sair, com a ajuda de outros parceiros que nos ajudaram a ganhar coragem para sair, agora, quando se começa a dizer que temos que voltar, aí não é uma situação para nós. Essa decisão é para valer”, avisou, por seu turno, o governador do banco central, sublinhando que a taxa de câmbio “nunca se pode se pode examinar de uma maneira isolada”.

“Tem que estar ligado às políticas que estão a ser tomadas”, disse ainda, sobre a atual política monetária do país.

“Como tenho vindo a dizer, nós paramos de intervir no mercado cambial já há anos, há mais de dois anos, a última vez foi mesmo em 2023, e diria mais, já a partir de 2021, a nossa presença no mercado cambial era mesmo muito modesta, e de 2023 para cá tem sido completamente zero”, recordou Zandamela.

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