
Espinho, Aveiro, 23 mar 2026 (Lusa) — O Auditório de Espinho apresenta até final de junho uma programação que, além de artistas como o saxofonista Seamus Blake e a cantora luso-moçambicana Selma Uamusse, também apresentará o concerto pascal “Stabat Mater” e três espetáculos de marionetas.
Segundo revela hoje à Lusa o programador dessa sala do distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto, Alexandre Santos, as escolhas da casa para o segundo trimestre de 2026 combinam assim “diversidade, modernidade, inovação e excelência”.
“É uma programação envolvente e dinâmica, abrangente em termos de públicos e de expressões artísticas, que acompanha o ritmo primaveril de um modo particularmente convidativo e na qual se destaca um conjunto invejável de concertos orquestrais, repartidos entre o clássico e o jazz, e ainda teatro de marionetas, a música do Brasil, de Moçambique, da Arménia ou de Cuba”, declara Alexandre Santos.
Natural de Londres, mas com origens canadianas e a viver nos Estados Unidos, Seamus Blake atua a 11 de abril no Auditório com a Orquestra de Jazz de Espinho e o trompetista norte-americano Hermon Mehari, para o espetáculo dedicado à obra de Miles Dabis e John Coltrane — que Alexandre Santos define como “dois gigantes que redefiniram não apenas o jazz, mas a própria linguagem desse género musical no século XX”.
Selma Uamusse, por sua vez, estará em palco a 25 e 26 de abril com o Projeto Benjamim, coletivo constituído por estudantes do ensino especializado de música para lhes proporcionar experiências profissionais fora do contexto clássico. Neste caso, as performances com a cantora e compositora serão em torno da sonoridade soul, jazz e afrobeat da cultura moçambicana.
Ainda em abril, a 01 haverá na Igreja Matriz o concerto de Páscoa da Orquestra Clássica de Espinho, que, para o “Stabat Mater”, de Pergolesi, sobre a dor de Maria junto ao filho crucificado, uma das poucas obras sobreviventes do compositor barroco, e para “Visions”, de John Rutter, sobre o Paraíso cristão, escolheu como solistas a soprano Leonor Amaral e a mezzo-soprano Rafaela Veiga, sob a direção do maestro Jean-Marc Burfin.
No dia 04, o Auditório recebe a Orquestra XXI, com o programa “Reforma de Mendelssohn”, que inclui a abertura “Mar calmo e próspera viagem”, inspirada em poemas de Goethe, e a 5.ª Sinfonia (“Reforma”), do compositor alemão, sob a direção de Dinis Sousa (também solista em piano, num Concerto de Johann Sebastian Bach); e a 10, o palco passa para a Capela de Santa Maria Maior com o coletivo italiano Segreti Armonici e composições barrocas redescobertas no Museu Internacional e Biblioteca de Música de Bolonha.
Ainda para esse mês, a 17, está previsto o espetáculo “Alma Lírica”, da cantora e percussionista brasileira Mônica Salmaso, que, com o pianista Nelson Ayres e o flautista e saxofonista Teco Cardoso, revisitará clássicos do cancioneiro brasileiro.
Quanto ao mês de maio, traz sete propostas, a começar, no dia 02, pela Orquestra de Jazz de Espinho com o pianista e compositor sul-africano Nduduzo Makhathini, que, partindo de composições próprias sujeitas a arranjos para big-band, irá cruzar a tradição do jazz com as “dimensões espirituais e rituais da música africana”.
No dia 08, o Auditório recebe novamente a Orquestra Clássica de Espinho, com seis jovens que venceram a última edição do Concurso de Solistas da Escola Profissional de Música dessa cidade; a 09, acolhe a violinista cubana Yilian Cañizares, com o seu trio composto pelo percussionista Inor Sotolongo e pelo baixista Childo Tomás; e a 22, o palco é para The Gurdjeff Ensemble, numa performance com várias obras de referência da música arménia.
As propostas de teatro, todas associadas ao Festival Mar-Marionetas, organizado pela autarquia local, serão três: “A oliveira milenar”, no dia 15, pela companhia Marionetas de Mandrágora, a partir do romance “Escavadora”, de Marta Pais Oliveira; “Conta devagar”, a 24, pelo Red Cloud Teatro de Marionetas, que abordará a multiculturalidade num ambiente onírico; e “Espanto”, a 31, com Ana Madureira e Vahan Kerovpyan a apelarem a “espíritos atentos e perguntadores”.
Chegado o mês de junho, o Auditório de Espinho acolhe, no dia 05, o Quarteto de Cordas de Matosinhos com a francesa Louise Jallu, que no espetáculo de bandónion “Tanz” apresentará obras de Bach e Chopin a Piazzolla e Delfino, assim como composições próprias.
Nesse mês, a 25, o Auditório recebe ainda, em parceria com o FEST – Festival Novos Realizadores Novo Cinema, uma série de “masterclasses e estudos de caso” sobre a relação entre música e cinema, com vista à formação de compositores de bandas sonoras e de editores, misturadores e supervisores de som.
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