
Maputo, 23 mar 2026 (Lusa) – As poupanças moçambicanas em depósitos a prazo atingiram em janeiro o valor mais alto em meio ano, de 304.575 milhões de meticais (4.131 milhões de euros), indicam dados oficiais a que a Lusa teve hoje acesso.
Conforme dados estatísticos do Banco de Moçambique, esses depósitos a prazo na banca moçambicana tinham atingido em junho de 2024 os 264.709 milhões de meticais (3.517 milhões de euros), crescendo progressivamente, todos os meses, até ao recorde de 305.871 milhões de meticais (4.148 milhões de euros) em julho último.
O valor registado em janeiro último foi o segundo mais elevado em mais de um ano, somando ainda um crescimento de 6,5% face ao mesmo mês de 2025, segundo o histórico do banco central.
Os depósitos à ordem também continuaram a crescer, 1% num mês, para 481.957 milhões de meticais (6.536 milhões de euros) em janeiro.
Em Moçambique funcionam 15 bancos comerciais e 12 microbancos, além de cooperativas de crédito e organizações de poupança e crédito, entre outras.
O Banco de Moçambique cortou em 28 de janeiro, pela 12.ª vez consecutiva, a taxa de juro de política monetária MIMO, em 0,25 pontos, para 9,25%, prevendo a sua estabilização, mas alertando para o efeito das cheias nos preços.
“Esta decisão é sustentada pelas perspetivas de manutenção da inflação a um dígito no médio prazo, não obstante a materialização de alguns riscos e incertezas associados às projeções da inflação, com destaque, podem já imaginar, para a ocorrência de inundações e para a intensificação das tensões comerciais e geopolíticas”, anunciou o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO).
A taxa de juro diretora em Moçambique esteve fixada em 17,25% desde setembro de 2022, após a intervenção do banco central, que depois iniciou cortes consecutivos a partir de 31 de janeiro de 2024, quando reduziu para 16,5%. Em março do ano passado o Banco de Moçambique cortou para 15,75%, que se foram repetindo em todas as reuniões seguintes, até chegar a 9,75% em setembro, 9,50% em novembro e agora 9,25%.
“Entretanto, em face do agravamento destes riscos e das incertezas, o CPMO considera que se aproxima o fim do ciclo de redução da taxa MIMO iniciado em janeiro de 2024”, disse ainda Zandamela, recordando que essa trajetória descendente poderia prolongar-se, na previsão inicial, até 36 meses.
O CPMO reúne-se novamente hoje em Maputo para decidir sobre eventuais alterações à taxa de juro diretora do país.
PVJ // VM
Lusa/Fim
