Cerca de 70 pescadores morreram desde 2024 em incidentes com militares em Moçambique

Maputo, 19 mar 2026 (Lusa) – O projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED) estima que cerca de 70 pescadores morreram desde 2024 em “incidentes” com militares em Macomia e Mocímboa da Praia, província moçambicana de Cabo Delgado.

Em declarações hoje à Lusa, o investigador da ACLED Peter Bofin explicou que o caso mais recente deu-se em 15 de março, em Mocímboa da Praia, um dos distritos mais fustigados pelos ataques terroristas no norte de Moçambique, com relatos locais que apontam para 13 pescadores mortos alegadamente por militares apenas nesse incidente.

“Fontes locais falam de uma proibição de pesca na área, como foi relatado em relação ao ataque de 15 de março”, explicou, referindo-se às restrições impostas pelas Forças de Defesa e Segurança na área, devido aos ataques terroristas.

Acrescentou que “antes do incidente de 15 de março”, e desde janeiro de 2024, a ACLED registou a morte de 58 pescadores, que atribuiu à Marinha de Guerra moçambicana, “em incidentes ao largo da costa de Macomia e Mocímboa da Praia, e nos arredores de Ibo”.

“Houve também um incidente da UIR [Unidade de Intervenção Rápida, da polícia] que matou duas pessoas nas águas de Palma. Houve seis incidentes desse tipo ao largo da costa de Macomia, perto de Mucojo”, disse ainda o investigador.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.

A ACLED estimou em 13 de março que a província moçambicana de Cabo Delgado registou cinco eventos violentos em duas semanas, quatro envolvendo extremistas do Estado Islâmico, com 30 mortos, elevando para praticamente 6.500 o total de óbitos desde 2017.

De acordo com o último relatório da organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês), com dados de 23 de fevereiro a 08 de março, dos 2.338 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.168 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).

Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.498 mortos, refere-se no novo balanço, incluindo as 30 vítimas reportadas neste período de duas semanas, essencialmente extremistas e militares moçambicanos.

 

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