
Maputo, 18 mar 2026 (Lusa) – A produção de grafite em Moçambique, destinada a baterias de carros elétricos, praticamente duplicou em 2025, crescendo para 67 mil toneladas, segundo dados do Governo.
De acordo com um relatório da realização orçamental de 2025, trata-se de um aumento de 92% face às 34,9 toneladas de grafite produzidas em Moçambique no ano anterior e 160% de execução da meta definida, que era de quase 41,8 toneladas.
O documento acrescenta que este desempenho surge “não obstante a paralisação das atividades” da GK Ancuabe Graphite Mine, em 2023, bem como o facto da empresa Twigg Mining and Exploration, alegadamente por “força maior”, ter suspendido a atividade, devido ao “bloqueio da mina de Balama em dezembro de 2024”, face aos protestos pós-eleitorais, situação que se prolongou por mais de seis meses.
Em 2022, a produção de grafite em Moçambique ascendeu a um recorde de 165,9 mil toneladas, mas no ano seguinte caiu para 97,3 mil toneladas e em 2024 recuou 64%, para 34,9 mil toneladas, devido à paralisação de produtoras.
Só a mina moçambicana de Balama – que fornece os mercados de baterias de viaturas elétricas norte-americano e indonésio – produziu 26 mil toneladas de grafite no terceiro trimestre de 2025, após seis meses de paragem provocada pela agitação social.
De acordo com informação sobre o desempenho do terceiro trimestre de 2025 enviada anteriormente aos mercados pela mineradora australiana Syrah, que a opera, a mina em Cabo Delgado, norte de Moçambique, registou no mesmo período um total de 24 mil toneladas de grafite, vendido e enviado para clientes a um preço médio por tonelada de 625 dólares (536 euros).
A mina de Balama retomou a exportação de grafite natural, destinado a baterias de carros elétricos, após seis meses de paragem provocada pela agitação social, anunciou em 24 de julho último a Syrah, que retirou a cláusula de ‘força maior’.
O argumento de ‘força maior’ diz respeito a um conceito jurídico que se refere a eventos externos, imprevisíveis e inevitáveis, que impedem o cumprimento de obrigações contratuais.
Entretanto, o Presidente moçambicano disse em 30 de janeiro último que a nova fábrica de processamento de grafite – que Daniel Chapo inaugurou nesse dia na província de Niassa – é uma oportunidade para Moçambique se consolidar no mercado global como fornecedor de minérios transformados, onde há alta procura de “grafite de alta pureza”, rompendo com o “modelo histórico de simples exportação de matéria-prima bruta”.
Erguida no distrito de Nipepe, a cerca de 400 quilómetros da cidade de Lichinga, capital da província de Niassa, no norte de Moçambique, a fábrica de capital chinês ocupa uma área de 2.469 hectares, foi avaliada em cerca de 200 milhões de dólares (165,7 milhões de euros), e tem uma capacidade de produção e processamento anual de 200 mil toneladas de grafite.
Esta infraestrutura emprega já 1.090 trabalhadores, devendo chegar a mais de 2.000 quando alcançar a sua capacidade máxima de produção, conforme informação da empresa.
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