
Guimarães, Braga, 17 mar 2026 (Lusa) – Uma retrospetiva da obra do artista português Jorge Molder, uma exposição do escocês Aidan Duffy e “Artes Tradicionais Africanas na Coleção José de Guimarães” vão ser inauguradas no sábado no Centro Internacional das Artes José de Guimarães, em Guimarães.
As três novas exposições marcam o primeiro ciclo desenhado pelo curador de arte contemporânea Miguel Wandschneider, que assumiu a direção artística do Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG) e da programação de artes visuais da cooperativa cultural A Oficina em 2025, assinala o centro de artes num comunicado.
“Come di”, a “primeira exposição retrospetiva sistemática de Jorge Molder”, segundo a organização, “Back Outside”, do artista escocês Aidan Duffy, e “Artes Tradicionais Africanas na Coleção José de Guimarães” estarão patentes até 06 de setembro.
Este ciclo de programação do CIAJG, sob a direção artística de Miguel Wandschneider, “aposta num horizonte claramente internacional, privilegiando um leque de escolhas diferenciadas, de modo a afirmar o CIAJG no contexto nacional e, desejavelmente, também num contexto internacional alargado”, sublinha o texto da entidade.
“Come di” constitui “a primeira retrospetiva sistemática, ainda que parcelar”, da obra fotográfica de Jorge Molder, centrada no período entre 1991 e 2003, e aborda o momento em que o artista passa a usar o seu corpo, sobretudo o rosto, como objeto de representação, encenando “um personagem, ou múltiplas declinações de um mesmo personagem”, numa construção do duplo.
Essa figura é construída através da pose, do gesto e da expressão, mas também da luz e da sombra, num processo assumido como artifício, numa linha que o artista tem sublinhado, de que a autorrepresentação não coincide com o autorretrato, ideia que estrutura o conjunto apresentado nesta mostra em Guimarães.
Em contraponto, a exposição – que se divide em duas partes consecutivas – são mostradas fotografias realizadas entre 1981 e 1986, em que a sua figura se esquiva ao olhar da câmara, bem como duas séries de retratos encenados de 1986, que antecipam o trabalho posterior.
As duas séries de retratos encenados realizadas em 1986 são dedicadas a esgrimistas e a empregados de mesa, que o artista personifica.
Jorge Molder, nascido em 1947, em Lisboa, é reconhecido por uma obra em fotografia a preto e branco cujo conteúdo é habitualmente o seu próprio corpo, em particular o rosto e as mãos, e também objetos apresentados de forma enigmática e simbólica.
“Back Outside”, de Aidan Duffy, artista nascido em Glasgow, em 1995, apresenta uma seleção de esculturas de parede, incluindo novas peças produzidas para esta mostra, configurando uma breve antologia do seu trabalho, que desenvolve na órbita do mundo da arte em Londres, onde vive, refere o comunicado.
O artista combina, de forma intuitiva, objetos e materiais diversos, muitos recolhidos ou adquiridos em contextos quotidianos, para criar assemblagens de forte intensidade expressiva e rigor compositivo.
Esta exposição reúne uma ampla seleção das suas esculturas de parede, tendo estimulado a produção de todo um conjunto de novas peças, “podendo ser vista como uma breve (e auspiciosa) antologia do seu trabalho”, assinala a curadoria no texto.
Já a mostra “Artes Tradicionais Africanas na Coleção José de Guimarães” apresenta, de forma autónoma, um núcleo da coleção do artista José de Guimarães reunida ao longo de décadas, e composta por milhares de objetos da África central e ocidental.
O conjunto, recentemente reforçado com novas doações, é agora exibido numa nova configuração, ocupando os pisos térreo e inferior do museu, com destaque para um amplo conjunto de máscaras. A coleção foi alvo de uma mostra abrangente e de longa dureção, intitulada “Heteróclitos: 1.128 objetos”, que abriu em 2022 e cessou no começo do ano.
Uma parte da sua vastíssima coleção de arte tradicional africana, que atualmente já ultrapassa os 3.000 itens, encontra-se depositada no CIAJG, lembra a entidade.
O programa deste ciclo expositivo inclui ainda a exibição do filme “Por aqui quase ninguém passa” (1999), de José Neves, e visitas guiadas no âmbito das exposições.
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