
Washington, 15 mar 2026 (Lusa) – O principal conselheiro económico da Casa Branca, Kevin Hassett, confirmou hoje que as primeiras duas semanas de guerra com o Irão custaram aos Estados Unidos cerca 12 mil milhões de dólares (10,5 mil milhões de euros).
Hassett confirmou este valor à cadeia NBC News, no seguimento da informação que recebeu na semana passada à porta fechada de altos militares norte-americanos durante uma reunião com membros do Congresso e responsáveis da administração em Washington.
O também diretor do Conselho Económico Nacional recusou, no entanto, confirmar os rumores de que a Casa Branca estaria a preparar um pedido ao Congresso para mais 50 mil milhões de dólares (43,6 mil milhões de euros) em gastos com a ofensiva aérea conjunta com Israel, desencadeada em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.
“Já temos as armas necessárias, por isso não creio que um reforço seja preciso “, disse Hassett, apesar de reconhecer que o Pentágono prevê mais duas a quatro semanas de operações.
O Governo de Israel anunciou pelo seu lado mais 2,6 mil milhões de shekels (cerca de 723 milhões de euros) para a “aquisição urgente e essencial de equipamento de defesa” para as suas operações militares no Irão e no vizinho Líbano, após ter aprovado na passada semana um orçamento especial para o setor que, segundo a imprensa israelita, atinge oito mil milhões de euros, a somar aos mais de 30 mil milhões de euros já previstos.
Segundo um comunicado do executivo, a despesa hoje anunciada é justificada pelo “estado de emergência em que Israel se encontra” e a “necessidade urgente e imediata” de fornecer uma “resposta operacional” à intensidade dos combates atuais.
Em retaliação da ofensiva iniciada em 28 de fevereiro, o Irão lançou ataques com mísseis e drones contra Israel e contra os países vizinhos, visando em particular bases militares e outros interesses norte-americanos mas também infraestruturas económicas, sobretudo energéticas.
Todas as partes têm rejeitado até agora qualquer discussão para estabelecer um cessar-fogo neste conflito que se alastrou a toda a região e reacendeu a guerra no Líbano, depois de o grupo xiita Hezbollah ter partido em apoio do seu aliado de Teerão e começado também a atacar Israel.
Ao mesmo tempo, o Irão colocou sob ameaça militar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo mundial, fazendo disparar o preço do barril para cerca de cem dólares.
O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, estimou hoje que os norte-americanos podem esperar uma subida dos preços dos combustíveis nas próximas semanas, que deverão descer depois até ao verão.
Em entrevista à NBC, Wright comentou que há “uma boa hipótese” de os preços da gasolina caírem assim que “o maior risco para o fornecimento global de energia” desaparecer, esperando que a guerra possa terminar em breve.
Nessa altura, “haverá um mundo com energia mais abundante, energia mais acessível e menos riscos para os soldados norte-americanos e para o comércio no Médio Oriente”, acredita o secretário da Energia.
O preço médio da gasolina nos Estados Unidos era de 2,94 dólares (2,57 euros) por galão (3,7 litros) em 01 de março, um dia após o início do conflito, mas no sábado o valor médio já atingia os 3,70 dólares (3,24 euros), segundo os órgãos de imprensa nacionais, citando a plataforma GasBuddy.
No entanto, embora Wright tenha manifestado confiança numa resolução rápida do conflito, reconheceu que “numa guerra, não há garantias” e que “o calendário ainda não é totalmente claro”
Até à data, o líder da Casa Branca indicou vários prazos e objetivos para o fim da ofensiva militar.
Dois dias depois do início dos ataques, afirmou que poderia durar “quatro ou cinco semanas”, na semana passada reduziu o prazo e disse que estava “prestes a terminar” e na sexta-feira respondeu que vai durar “o tempo que for preciso”.
O porta-voz do exército israelita indicou hoje que as Forças de Defesa de Israel preveem que a guerra com o Irão poderá durar mais três a seis semanas e que ainda há milhares de objetivos militares pela frente.
Donald Trump pediu também que outros países enviem navios de guerra para assegurar o abastecimento mundial de petróleo que transita pelo Estratégico de Ormuz, apontando a França, a China, o Japão, a Coreia do Sul e o Reino Unido.
Após este apelo, O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, recomendou aos outros países para que se “abstenham de qualquer ação que possa levar a uma escalada e a uma extensão do conflito”, segundo um comunicado do seu ministério.
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