
Caracas, 14 mar 2026 (Lusa) – A líder da oposição venezuelana e vencedora do Prémio Nobel da Paz, María Corina Machado, denunciou hoje que o Governo da Presidente interina, Delcy Rodríguez, “pretende prolongar o terror”.
A líder da oposição da Venezuela fez esta denúncia depois de um tribunal ter negado amnistia a Perkins Rocha, conselheiro jurídico da maior coligação anti-chavista e ex-deputado.
“Negar a amnistia seletivamente é repressão. O regime liderado por Delcy Rodríguez pretende prolongar o terror para quebrar a moral daqueles que lutam pela democracia e pela liberdade na Venezuela, que estão agora tão perto. Sabem que mais? Não vão conseguir”, declarou Machado, nas redes sociais.
A líder da oposição, que visitou o Chile esta semana para participar na tomada de posse do político de extrema-direita José Antonio Kast, afirmou que a Venezuela decidiu ser livre, e que foram feitos “progressos significativos” neste processo.
“Hoje, cada abuso do regime não nos paralisa, mas antes fortalece a nossa convicção de que este processo é imparável. É muito comovente ver como os venezuelanos, dentro e fora do país, estão a recuperar as suas vozes e os espaços que lhes foram roubados todos os dias”, disse.
Machado afirmou que Perkins Rocha “é um cidadão exemplar”, além de “um homem corajoso, um pai extraordinário e um excelente jurista”.
“O regime sequestrou-o durante 17 meses por causa da força e da precisão das suas palavras. Por falar e defender a verdade. Hoje permanece em prisão domiciliária com uma pulseira eletrónica, e negam-lhe amnistia”, referiu.
A Prémio Nobel apelou à comunidade internacional para “se manter vigilante, apoiar as reivindicações legítimas das famílias e das organizações de Direitos Humanos e aumentar a pressão”, denunciando que “as práticas repressivas do regime continuam”.
“Perkins Rocha e todos os presos políticos devem ser completamente livres. Não detidos, não processados. Livres! O regime acredita que, através da sua ‘justiça’ seletiva, demonstra o seu poder e controlo. Nós, venezuelanos, sabemos que, na realidade, eles temem uma nação que decidiu ser livre”, afirmou.
Rocha denunciou na passada sexta-feira que um tribunal com jurisdição sobre casos de terrorismo negou o seu pedido de amnistia, apresentado em fevereiro último, argumentando que o seu caso está excluído da lei de amnistia aprovada pelo Parlamento.
Na passada quinta-feira, o advogado venezuelano Omar Mora Tosta afirmou que o prazo de 15 dias para responder ao pedido de amnistia de Rocha tinha expirado. Rocha está em prisão domiciliária desde 8 de fevereiro último.
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