
Beirute, 13 mar 2026 (Lusa) — O Presidente libanês disse hoje não ter recebido resposta de Israel sobre negociações para um cessar-fogo na guerra com o grupo xiita Hezbollah, que se prepara para “uma longa confrontação”, enquanto as forças israelitas reforçam a presença na fronteira.
Durante um encontro em Beirute com o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, Joseph Aoun indicou que já manifestou a sua “disposição para negociar” e disse que espera o apoio da comunidade internacional para o Líbano nesta “fase crítica”.
Os ataques israelitas “devem cessar e deve ser alcançado um cessar-fogo”, com vista a discutir os próximos passos para um acordo entre as partes, afirmou o chefe de Estado do Líbano, que já contabiliza 773 mortos, incluindo 103 crianças, 1.933 feridos e acima de 800 mil deslocados desde o agravamento dos confrontos entre Israel e o grupo xiita apoiado pelo Irão, no início do mês.
Apesar do cessar-fogo que vigorava desde novembro de 2024 que nunca foi integralmente respeitado, o Hezbollah voltou a atacar o norte de Israel a partir de 02 de março com mísseis e drones, em resposta à ofensiva aérea israelo-americana no Irão, desencadeada dois dias antes.
Desde então, Israel retomou os seus bombardeamentos em grande escala contra alegados alvos do grupo libanês em Beirute, vale de Bekaa e no sul do país, onde expandiu as posições que já ocupava no anterior conflito.
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, declarou hoje que o seu movimento político e militar está pronto para “um longo confronto” com Israel e que “não teme as ameaças do inimigo”.
Num discurso transmitido pela televisão libanesa, descreveu a guerra em curso como uma “batalha existencial”, na qual advertiu que o Hezbollah não dará “os meios para atingir o objetivo de ser erradicado”.
Ao mesmo tempo, Naim Qassem exortou o Governo libanês a “parar de fazer concessões ao inimigo sem nada em troca”, instando-o a reverter as suas recentes decisões, em alusão à proibição, anunciada na passada semana, das atividades militares do Hezbollah.
O exército israelita indicou hoje que já lançou mais de 1.100 ataques no Líbano e que 350 membros do Hezbollah foram mortos no atual conflito, “incluindo oficiais de alta patente”, o que representa cerca de metade do número de mortes registados nos balanços oficiais das autoridades de Beirute e sugere uma grande quantidade de civis.
A par dos ataques intensivos, o comandante das forças de Israel, Eyal Zamir, ordenou o reforço de tropas ao longo da fronteira entre os dois países, “como parte do reforço da prontidão para vários cenários ofensivos e defensivos”.
Segundo um comunicado militar, o destacamento de tropas será realizado com “unidades regulares adicionais”, incluindo uma divisão, brigadas e batalhões de engenharia.
O comunicado indica ainda que serão mobilizados reservistas para substituir as unidades que operam regularmente na área.
O anúncio de Zamir surge após uma reunião hoje de manhã com o ministro da Defesa, Israel Katz, e outros altos oficiais do exército para avaliar os resultados do ataque à Ponte Zrarieh sobre o rio Litani, no sul do Líbano, que, segundo indicou, servia como uma “travessia crucial” para os membros do grupo xiita libanês.
O rio Litani marca a fronteira para a qual o exército israelita emitiu inicialmente avisos de retirada à população durante a sua ofensiva contra o país vizinho numa área reservada à vigilância da missão de paz da ONU (FINUL), e depois alargada cerca de 15 quilómetros mais a norte.
Os avisos de evacuação israelitas já abrangem 14% do território do Líbano, informou hoje o Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), incluindo partes do Vale do Bekaa, no leste do país, e os subúrbios sul de Beirute, onde o Hezbollah tem o seu reduto.
O Exército libanês alertou pelo seu lado a população para o perigo de digitalizar códigos QR em panfletos lançados hoje por Israel sobre Beirute, avisando que conduzem ao serviço de recrutamento para os serviços de informação de Telavive.
“Uma aeronave israelita lançou panfletos sobre Beirute contendo um código QR com um ‘link’ para o WhatsApp e outro para o Facebook, para contacto com a Unidade 404”, relataram as Forças Armadas libanesas nas redes sociais, referindo-se à unidade do Exército responsável pelo recrutamento de agentes de informações.
Na quinta-feira, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, indicou ter transmitido ao Governo libanês que será melhor para ele confrontar o Hezbollah em vez de Israel.
“Eu disse-lhes: ‘Estão a brincar com o fogo se deixarem o Hezbollah atuar’ (…). Mas se eles não fizerem nada, nós faremos. Como? No terreno ou de outra forma, não vou entrar em detalhes, mas o Hezbollah pagará um preço elevado e seria melhor se o Governo libanês tratasse disso”, recomendou.
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