
Lisboa, 12 mar 2026 (Lusa) – Centenas de alunos e professores do ensino artístico especializado estão hoje em protesto em frente ao Ministério da Educação, em Lisboa, para defender o reforço do financiamento público, que não é atualizado desde 2009.
A manifestação foi promovida pelas escolas artísticas privadas, que trouxeram à capital alunos e docentes de todo o país pelo “futuro do ensino artístico especializado”.
Pelas 16:00, o separador central da Avenida Infante Santo era ocupado por mais de duas centenas de manifestantes, munidos de tambores e cartazes onde se leem mensagens como “15 anos é muito tempo” e “o ensino artístico é tão importante como o convencional”.
Àquela hora, continuavam a chegar autocarros para a concentração que estava agendada para as 15:00 e em que a organização espera a participação de perto de 500 pessoas.
Com tambores, pandeiretas e o apoio das buzinas de alguns carros que vão passando, os manifestantes gritam palavras de ordem como “A arte unida jamais será vencida” e “É hora de agir, não basta ouvir”.
“Estas escolas representam a rede do ensino artístico em Portugal, são 31 mil alunos”, começou por referir o diretor executivo da Associação de Estabelecimentos de Ensino Particular e Cooperativo (AEEP), para sublinhar o papel destes estabelecimentos, com os quais o Ministério da Educação, Ciência e Inovação estabelece contratos de patrocínio.
Desde o ano letivo 2014/2015 que as escolas recebem por aluno e por ano 2.600 euros no âmbito dos contratos de patrocínio, menos do que recebiam desde 2009, na altura acima dos 3.000 euros.
“Estamos com um valor com 20 anos de atraso e que teve um corte pelo meio. Neste momento já atingimos mesmo um ponto de rutura”, alertou o representante.
A falta de verbas tem impacto nos salários dos profissionais, que também não são atualizados apesar de os diretores considerarem os aumentos justos, mas também nos investimentos que as escolas conseguem realizar ou, neste caso, não conseguem.
“Os nossos alunos nunca puderam tocar num piano novo, porque nós compramos os nossos pianos no OLX (plataforma de venda de artigos em segunda mão)”, contou à Lusa o diretor da Academia de Música de Lisboa, Rui Fernandes.
Muitas a funcionar em edifícios antigos, a falta de obras é outro dos problemas relatados por alunos de professores.
“A nossa escola não está horrível, mas podia estar muito melhor e reparamos que não temos tantas oportunidades e temos muito poucos alunos no ensino articulado porque não temos financiamento suficiente”, sublinhou Sofia, aluna de Canto no Conservatório Regional de Setúbal.
Com mais de 600 alunos entre as várias escolas privadas de ensino artístico especializado da Área Metropolitana de Lisboa, Rui Fernandes acrescenta ainda que os alunos não dispõem sequer de um auditório onde possam realizar as apresentações.
“Fazemos uma espécie de milagre da multiplicação dos pães, porque com condições tão exíguas a nível financeiro, conseguimos mesmo assim produzir a maior parte dos alunos que frequentam o ensino superior da música em Portugal, por exemplo”, sublinhou.
Os representantes das escolas foram, entretanto, chamados pelo secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, que no final da reunião disse aos jornalistas que o Governo está a trabalhar na revisão do enquadramento dos contratos de patrocínio e tem a intenção de aumentar o financiamento, sem assumir, no entanto, qualquer compromisso para já.
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