Cerca de 270 mil afegãos regressados do Irão e do Paquistão desde janeiro – ONU

Genebra, 10 mar 2026 (Lusa) – Cerca de 270 mil afegãos que procuraram refúgio no Irão e no Paquistão regressaram ao país desde janeiro, declarou hoje a ONU, sublinhando que os atuais conflitos na região podem aumentar de regressos ao Afeganistão.

De acordo com novos dados publicados pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), neste ano cerca de 110 mil afegãos já regressaram ao Afeganistão vindos do Irão e mais de 160 mil do Paquistão.

O Paquistão e o Irão – que albergam milhões de afegãos que fugiram de guerras, da pobreza ou de ameaças à segurança – estão a levar afegãos a voltar ao país, na maioria das vezes à força, de acordo com a agência da ONU.

No ano passado, “cerca de três milhões de afegãos regressaram do Irão e do Paquistão”, disse um dos porta-vozes do ACNUR, Babar Baloch, numa conferência de imprensa em Genebra.

Do Irão, houve “cerca de 1.700 regressos por dia desde o início do conflito no Médio Oriente”, o que pode ser apenas “o início”, disse o representante do ACNUR no Afeganistão, Arafat Jamal, aos jornalistas.

De acordo com o ACNUR, os regressos estão a ocorrer “de forma ordenada, mas numa atmosfera de tensão e apreensão”.

A situação na fronteira com o Irão é “enganosamente calma”, referiu o ACNUR, que está “preocupado que os acontecimentos na região possam desencadear movimentos maiores nas próximas semanas”.

Em relação aos regressos de afegãos do Paquistão, o ACNUR explicou que “o principal ponto de passagem em Torkham continua encerrado devido às tensões” entre as forças afegãs e o exército paquistanês na fronteira, mas a agência afirmou que os regressos vão provavelmente aumentar “assim que a fronteira for reaberta”.

Mais de cinco milhões de afegãos regressaram de países vizinhos nos últimos dois anos, incluindo quase 1,9 milhões do Irão só em 2025, de acordo com o ACNUR.

O ACNUR e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estão a reforçar a capacidade de atuação na fronteira e no interior do Afeganistão.

Entretanto, “dada a escala dos regressos e as restrições financeiras enfrentadas pelas operações humanitárias, será necessário apoio adicional caso o número de chegadas aumente”, alertou a agência da ONU, sem especificar o montante do financiamento necessário.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro uma campanha de ataques militares contra o Irão.

Em resposta, Teerão atacou contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre, Azerbaijão e na Turquia.

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