Nobel da Paz iraniana rejeita que futuro governo seja decidido no estrangeiro

Roma, 09 mar 2026 (Lusa) — A advogada iraniana Shirin Ebadi, vencedora do Prémio Nobel da Paz de 2003, rejeitou hoje a ideia de que qualquer futuro governo no Irão possa ser decidido a partir do estrangeiro.

“O povo iraniano quer o colapso do regime e o estabelecimento de um governo democrático e laico”, afirmou a advogada e ativista de direitos humanos, durante uma videoconferência num evento realizado na Câmara dos Representantes de Itália.

A jurista, exilada desde 2009, sublinhou que o Irão tem “milhares de anos de civilização” e pediu que o país não seja julgado pelo regime instaurado depois da revolução de 1979.

“Por favor, não nos julguem por estes 47 anos da República Islâmica. Somos uma nação pacífica e não queremos a destruição de mais nenhum país”, disse Ebadi.

As declarações de Ebadi surgiram numa altura em que o Irão entrou em guerra depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel que mataram o líder supremo iraniano, aiatola Ali Khamenei, entre outros dirigentes.

Ebadi disse acreditar que os iranianos “vão resistir até ao fim pela liberdade e pela prosperidade”, defendendo que, depois da queda do regime dos aiatolas, vai caber aos próprios cidadãos decidir o futuro do país.

“Não permitiremos que os estrangeiros estabeleçam um governo para nós. Os nossos jovens corajosos serão os guardiões da independência e da integridade territorial da nossa pátria”, salientou.

Os iranianos vão acabar por vencer a luta política interna, concluiu.

Shirin Ebadi foi a primeira mulher muçulmana a receber o Prémio Nobel da Paz, em 2003, distinção atribuída pelos esforços em defesa da democracia e dos direitos humanos, especialmente das mulheres e das crianças.

Ebadi é uma das duas mulheres iranianas laureadas com o Nobel da Paz, juntamente com a ativista Narges Mohammadi, distinguida em 2023 enquanto cumpria uma pena de 10 anos de prisão em Teerão.

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