
Maputo, 09 mar 2026 (Lusa) – A Electricidade de Moçambique (EDM) soma prejuízos de dois milhões de euros na atual época das chuvas, necessitando de 8,1 milhões de euros para repor a situação, disse o presidente da elétrica estatal, em entrevista à Lusa.
“Desde o início da época chuvosa, os prejuízos registados ascendem a cerca de 155 milhões de meticais [dois milhões de euros], sendo 140 milhões de meticais [1,8 milhões de euros] resultantes das cheias na zona sul, com maior incidência na província de Gaza”, disse Joaquim Ou-chim.
O responsável acrescentou que as chuvas que começaram em outubro afetaram sobretudo infraestruturas da EDM na província de Maputo, concretamente em Boane, Moamba, Macaneta, Chinavane e Magude. Na província de Gaza, a elétrica moçambicana sofreu mais danos nas cidades de Chókwè e Xai-Xai e nos distritos de Chókwè, Mabalane, Guijá, Chibuto e Lionde.
A EDM também viu as suas infraestruturas serem destruídas com a passagem do ciclone Gezani na província de Inhambane, sul de Moçambique, concretamente nas cidades de Inhambane e Maxixe, e nos distritos de Massinga e Morrumbene, num prejuízo estimado em 15 milhões de meticais (202.741 euros).
Joaquim Ou-chim adiantou que a elétrica estatal necessita de 604 milhões de meticais (8,1 milhões de euros) para a reposição definitiva das infraestruturas afetadas pelas cheias e inundações desta época chuvosa, que já provocou 263 mortos e afetou 869 mil pessoas, e que se estende até abril.
A EDM prevê repor as infraestruturas danificadas pelas inundações até finais de março, incluindo em zonas afetadas pelo ciclone Gezani.
Face às reclamações de constantes cortes de corrente com os danos causados pelas chuvas, a EDM esclareceu à Lusa que tem atuado “com prontidão”, mobilizando equipas para a reposição da energia elétrica sempre que as condições de segurança o permitem.
“Paralelamente, têm sido realizadas campanhas para atualizar as comunidades sobre as zonas afetadas e o progresso dos trabalhos de reposição, bem como ações de sensibilização sobre medidas de segurança face às infraestruturas danificadas”, disse Joaquim Ou-chim.
“A EDM tem igualmente priorizado o restabelecimento de energia a serviços essenciais, tais como sistemas de bombagem de água, unidades hospitalares e centros de acolhimento. Nos locais onde a reposição imediata não é possível, têm sido instalados geradores e contadores pré-pagos para assegurar o fornecimento de energia”, acrescentou o administrador.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
O presidente do conselho de administração da EDM explicou que quer minimizar os impactos anuais destes eventos na rede de energia, estando a avançar com aquisição e pré-posicionamento de materiais estratégicos em zonas remotas e historicamente vulneráveis e revisão dos padrões de construção das redes de distribuição, com reforço do uso de postes de betão e metálicos, sendo atualmente adotada uma proporção mínima de 30% de postes de betão e 70% de madeira.
Garantiu que a empresa vai apostar ainda no aumento do diâmetro da base dos postes de madeira, passando de 20–24 centímetros (cm) para 24–28 cm, conferindo maior robustez às infraestruturas, requalificação gradual das redes em zonas baixas e propensas a inundações, apostando em postes de betão e construção de subestações com cobertura em laje de betão.
A empresa pretende ainda investir, adiantou Joaquim Ou-chim, na “construção de postos de transformação com maciços de alvenaria, reduzindo o risco de queda das estruturas e na criação do Fundo de Resiliência e Resposta a Desastres Naturais, financiado pelo Reino da Noruega, que permite uma atuação mais célere e eficaz, garantindo recursos financeiros dedicados à adaptação das infraestruturas elétricas, de acordo com padrões mais elevados e resilientes às mudanças climáticas”.
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