
Riade, 09 mar 2026 (Lusa) — O Governo de Riade avisou hoje o Irão que será o “maior perdedor” se continuar a visar os países árabes, depois de novos ataques contra Kuwait, Qatar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein.
No Bahrein, um ataque com um drone iraniano feriu 32 civis, quatro deles com gravidade, na madrugada de hoje em Sitra, segundo o Ministério da Saúde, citado pela agência de notícias oficial.
Os feridos “estão a receber tratamento” e “entre eles, quatro casos são graves, incluindo crianças que necessitaram de cirurgia”, escreveu o ministério.
Uma jovem de 17 anos sofreu ferimentos graves na cabeça e nos olhos, e duas crianças, de 07 e 08 anos, sofreram ferimentos graves nos membros inferiores, disse o ministério, acrescentando que a mais nova dos feridos tem dois meses de idade.
No domingo, três pessoas ficaram feridas no pequeno arquipélago do Golfo por destroços de mísseis e uma central de dessalinização foi atingida por um ataque com um drone iraniano, segundo o Ministério do Interior.
As autoridades afirmaram que o ataque não afetou a capacidade da rede de abastecimento de água.
Na Arábia Saudita, o Ministério da Defesa anunciou a interceção e destruição de quatro drones que se dirigiam para o campo petrolífero de Shaybah, no sudeste do país, que também já tinha sido atacado no domingo.
Os Estados Unidos anunciaram no domingo que estavam a ordenar ao seu pessoal diplomático não essencial que abandonasse a Arábia Saudita “devido a riscos para a sua segurança”.
O emirado do Kuwait sofreu na madrugada de hoje um novo ataque com mísseis e drones, no décimo dia da guerra entre o Irão, Israel e os Estados Unidos, informou o Ministério da Defesa do Kuwait.
“As defesas aéreas do Kuwait enfrentam atualmente ataques com mísseis e drones hostis”, anunciou o Ministério da Defesa, citado pela agência de notícias kuwaitiana Kuna.
No domingo, o Kuwait já tinha sido alvo de sete mísseis e cinco drones, de acordo com números divulgados pelas autoridades.
Por outro lado, esta madrugada explosões fortes foram também ouvidas em vários pontos de Doha, no Catar.
As autoridades dos Emirados Árabes Unidos (EAU) anunciaram hoje que foram alvo de um ataque com mísseis.
“Os sistemas de defesa aérea estão a responder a um ataque com mísseis”, escreveu o Centro Nacional de Gestão de Emergências e Desastres do país na rede social X.
O ministério dos Negócios Estrangeiros dos EAU divulgou este domingo um comunicado em que revela que a nação se encontra “em estado de defesa em resposta à agressão brutal e não provocada do Irão, que incluiu o lançamento de mais de 1400 mísseis balísticos e drones contra infraestruturas e locais civis, resultando em mortes e feridos entre a população civil”.
Os EAU salientam no mesmo comunicado que “não pretendem ser arrastados para conflitos ou escaladas”, mas “reafirmam o pleno direito de tomar todas as medidas necessárias para salvaguardar a soberania, segurança nacional e integridade territorial, e para garantir a segurança dos cidadãos e residentes”, em conformidade com o direito internacional e a Carta das Nações Unidas.
No domingo, Mojtaba Khamenei, filho do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, foi nomeado líder supremo do Irão.
O sucessor do ‘ayatollah’ Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro por ataques israelitas e norte-americanos, foi nomeado pela Assembleia de Peritos.
Mojtaba Khamenei não será apenas o líder político, mas também o responsável máximo do xiismo, uma corrente minoritária no islamismo, mas a maioria no Irão e com grande presença em países como o Iraque, Síria ou Líbano.
Depois de 28 de fevereiro, o Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
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