
Beirute, 07 mar 2026 (Lusa) — O Exército israelita bombardeou hoje a periferia da cidade histórica de Tiro, no sul do Líbano, de acordo com a imprensa estatal libanesa e um fotógrafo da agência francesa.
A agência de notícias libanesa NNA afirmou que aviões de guerra israelitas atacaram três prédios nos arredores de Tiro que tinham sido identificados como alvos e imagens da AFP mostram densas colunas de fumo preto a subir de prédios que Israel alega serem usados pelo grupo xiita libanês Hezbollah.
Algumas horas antes, Telavive instou os moradores daquele bairro a retirarem-se, ao mesmo tempo que dava ordem a todos os cidadãos para abandonar o território libanês situado a sul do rio Litani, onde estão cidades como Tiro, Sidon, Nabatiye e Yezin.
Numa ofensiva militar contra o Hezbollah, grupo pró-iraniano, a força aérea israelita já tinha atacado na sexta-feira Tiro, considerada uma das mais antigas cidades do mundo continuamente habitadas, com sítios arqueológicos classificados como Património Mundial.
Hoje, o ministro da Cultura libanês, Ghassan Salameh, denunciou que os bombardeamentos israelitas provocaram danos materiais no perímetro de um complexo de ruínas romanas de Tiro, inscritas no património classificado.
Apesar desta ofensiva ser lançada no contexto da guerra conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irão, Telavive realizou nos últimos meses dezenas de bombardeamentos contra o Líbano, violando o cessar-fogo alcançado em novembro de 2024.
Nesses ataques, Israel, que mantém cinco postos no território do país vizinhou, alegou que atuava contra atividades do Hezbollah, em ações que foram condenadas pelas autoridades libanesas e pelas Nações Unidas.
Ao mesmo tempo que Israel continua os seus ataques contra movimentos pró-iranianos, Teerão afirmou hoje que continuará também os seus ataques contra locais em países vizinhos que tenham sido usados para atacar o país.
Correspondentes da agência France Presse deram hoje nota de explosões em Doha, no Qatar, em Manama, no Bahrein, e os Emirados Árabes Unidos anunciaram ter enfrentado nova vaga de drones e mísseis “originários do Irão”, no sábado.
Hoje, o presidente dos Emirados Árabes Unidos afirmou que o seu país sairá “mais forte” da guerra, enquanto o Irão continua os seus ataques de retaliação nos estados do Golfo.
Os Emirados estão em “estado de guerra”, declarou o xeque Mohammed bin Zayed numa rara declaração televisiva. Mas “sairemos mais fortes”, acrescentou.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989. O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.
O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
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