
Madrid, 07 mar 2026 (Lusa) — A Amnistia Internacional exigiu hoje que as autoridades iranianas libertem imediatamente todos os detidos arbitrariamente, os presos por dívidas financeiras, os que cumprem prisão preventiva ou estão condenados por delitos menores não violentos, ainda que seja condicionalmente.
A organização de defesa dos direitos humanos alegou, em comunicado, que estas pessoas correm um “grave risco”, devido aos bombardeamentos de Israel e dos EUA, que começaram há uma semana e se mantêm, causando mais de mil mortes.
Os ataques aéreos perto de prisões e centros de segurança levaram à libertação de alguns presos, segundo informações de defensores de direitos humanos.
“No entanto, as autoridades recusam libertar todas as pessoas detidas arbitrariamente”, explicou a Amnistia Internacional (AI), referindo os detidos por motivos políticos.
A organização acusou também as autoridades iranianas de não concederem a liberdade humanitária temporária a outros detidos, expondo-os conscientemente a um grave risco de morte ou a ferimentos graves.
“Entre estas pessoas encontram-se menores de idade”, acrescentou a AI.
A organização sublinhou também que os ataques diretos contra bens civis, como as prisões, constituem “graves violações” do direito internacional humanitário e podem constituir crimes de guerra.
Segundo familiares dos presos e defensores de direitos humanos citados pela AI, ocorreram explosões perto da prisão de Evin e da Penitenciária Central de Grande Teerão, da prisão de Zanjan e da prisão de Mahabad, na província do Azerbaijão Ocidental.
Houve também ataques contra centros de segurança com presos, incluindo as instalações do Ministério dos Serviços Secretos, e esquadras de polícia em Teerão, Mahabad, Urumieh, Sanandaj e Kermanshah.
Nestas circunstâncias, a AI considera preocupante que as autoridades iranianas neguem às pessoas presas “comida e água adequadas” e submetam algumas a “desaparecimento forçado”, assim como “tortura e outros maus tratos”, inclusive como “represália por protestarem” quando exigem a libertação, ao ouvirem as explosões.
“O Irão deve cumprir com a sua obrigação, face ao direito internacional humanitário, de retirar, na medida do possível, todas as pessoas presas e demais civis das proximidades de objetivos militares”, instou o diretor da Amnistia Internacional em Espanha, Esteban Beltrán.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.
O Irão lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.
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