
Genebra, 06 mar 2026 (Lusa) — O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) afirmou hoje que cerca de 180 crianças foram mortas nos ataques israelo-americanos desde sábado contra o Irão, incluindo 170 numa escola feminina em Minab.
O organismo dedicado ao Médio Oriente e norte de África revelou-se “profundamente preocupado pelo impacto letal que a atual escalada militar na região está a ter na população infantil”, frisando que, além das 180 mortes, “há muitos mais feridos”.
“Entre as vítimas houve 168 meninas que perderam a vida aquando do ataque de 28 de fevereiro à escola primária Shajaré Tayebé, em Minab, em horário escolar”, lê-se em comunicado, especificando que se tratavam de crianças entre os sete e 12 anos.
Segundo a UNICEF, “mais 12 crianças morreram noutras escolas em cinco lugares diferentes no Irão”.
“Essas crianças vítimas são uma chamada de atenção contundente para a brutalidade da guerra e a violência contra crianças, que prejudica famílias e comunidades durante gerações”, continua o texto.
A organização reiterou que “crianças e escolas são protegidas pelo Direito Internacional Humanitário”, destacando que esses centros educacionais “devem ser locais seguros”.
A UNICEF alertou ainda para o facto de, “com a continuidade dos ataques militares em toda a região, as crianças estão cada vez mais expostas à violência, e o impacto nas infraestruturas civis essenciais representa uma ameaça direta ao seu bem-estar”.
“Pelo menos 20 escolas e 10 hospitais foram danificados no Irão, interrompendo o acesso das crianças à educação e a serviços essenciais de Saúde”, observou a UNICEF, apelando às partes em conflito para que “cumpram suas obrigações” e “garantam a proteção dos civis”.
Os EUA e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção daquele país.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.
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