
Genebra, 06 mar 2026 (Lusa) — O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou hoje que 56 civis, incluindo 24 crianças, foram mortos desde a intensificação dos confrontos na fronteira entre as forças afegãs e o exército paquistanês na semana passada.
Desde o início do ano, o número de civis mortos no lado afegão chegou a 69, além de 141 feridos, acrescentou Türk em comunicado.
No mesmo texto alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos instou o exército paquistanês e as forças de segurança afegãs a cessarem imediatamente os combates.
“Priorizem a ajuda aos milhões de pessoas que dependem de assistência humanitária”, pediu.
Quase 8.500 afegãos foram obrigados a fugir das suas casas devido aos confrontos na fronteira entre as forças afegãs e o exército paquistanês, anunciou na terça-feira o Governo talibã.
Após meses de confrontos, os dois países vizinhos estão em conflito desde dia 26 de fevereiro quando o Afeganistão lançou uma ofensiva na fronteira em resposta a ataques aéreos paquistaneses.
O Paquistão declarou então “guerra aberta” às autoridades talibãs, acusando-as de há muito abrigarem militantes armados que lançam ataques contra o seu território, acusação que as autoridades afegãs negam.
O exército paquistanês bombardeou, nomeadamente, a capital afegã, Cabul, a antiga base militar norte-americana de Bagram, e Kandahar, a cidade no sul do país onde reside isolado o líder supremo dos talibãs afegãos, Hibatullah Akhundzada.
Segundo o Governo afegão, pelo menos 39 civis foram mortos, número que o Paquistão não comentou.
O Governo talibã reconheceu também, pela primeira vez, os ataques aéreos paquistaneses à base aérea de Bagram, a norte da capital.
De acordo com fontes de segurança paquistanesas, citadas pela agência de notícias francesa AFP, os ataques a Bagram visaram perturbar “o fornecimento de equipamento e mantimentos essenciais” aos soldados e combatentes afegãos.
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