
Roma, 05 mar 2026 (Lusa) – O busto de Cristo Salvador na Basílica de Santa Inês Fora-dos-Muros, em Roma, cujo autor era até então desconhecido, é uma das obras de Miguel Ângelo que se acreditava estarem perdidas, segundo uma investigação.
O trabalho da investigadora Valentina Salerno permitiu a atribuição de pelo menos 20 obras ao artista renascentista.
Uma destas obras é este busto, de acordo com Salerno, que apresentou a sua descoberta na quarta-feira numa conferência de imprensa em Roma.
A investigadora descreveu, com base em documentos, a história da obra e afirmou que os especialistas vão agora precisar de verificar as suas descobertas.
A estátua era considerada anónima e catalogada como um “busto escultural de um artista anónimo da escola romana do século XVI”.
Entre outros documentos, Salerno apresentou testamentos, correspondência, diários, relatórios, inventários notariais e registos de confrarias desde 1564 até aos dias de hoje, bem como esboços de Miguel Ângelo, para argumentar que o busto criado em 1534, que retrata Tommaso dei Cavalieri, um amigo próximo do artista, foi transferido da casa de Buonarroti para a Igreja de Sant’Agnese in Agone após a sua morte.
Inicialmente, o busto foi mantido numa capela fechada e, posteriormente, colocado na Basílica.
Esta peça é uma das 20 obras que a autora conseguiu reatribuir no seu estudo “Michelangelo: Os Últimos Dias”, que durou mais de 10 anos e foi possível graças à assistência da Ordem dos Cónegos Regulares Lateranenses, que administram a Igreja.
Durante séculos, acreditou-se que o artista tinha destruído centenas de esboços, desenhos e esculturas que guardava em sua casa.
No entanto, segundo a investigação de Salerno, Miguel Ângelo não destruiu as estátuas, mas antes arquitetou um plano antes da sua morte para evitar que caíssem em mãos erradas, confiando-as aos seus amigos mais próximos.
Um outro elemento que reforça esta reconstituição é que durante um leilão da Christie’s em Londres, em fevereiro, surgiu um desenho de um pé atribuído a Miguel Ângelo, com uma proveniência que coincide com a do busto romano.
Esta coincidência, segundo os estudiosos, solidificaria toda a cadeia de documentação.
Aguardando a aceitação por parte da comunidade científica, que o acrescentaria às obras posteriores de Miguel Ângelo, o busto permanecerá no seu local atual.
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