
Beirute, 04 mar 2026 (Lusa) — As mais recentes vagas de ataques israelitas no Líbano provocaram 72 mortos desde segunda-feira e mais de 83 mil deslocados, indicaram hoje as autoridades de Beirute.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, 72 pessoas morrerem e 437 ficaram feridas nos bombardeamentos de Israel, em resposta a ataques aéreos do grupo xiita Hezbollah, apoiado pelo Irão, contra o país.
A ministra dos Assuntos Sociais libanesa indicou que foram registados 83.847 deslocados nos centros de acolhimento estatais, mas o número deverá ser superior, uma vez que muitas mudaram-se para segundas residências, casas de familiares ou alojamentos alugados e não constam nos dados oficiais.
As forças israelitas intensificaram os ataques aéreos no sul do Líbano, Vale de Bekaa e arredores de Beirute nos últimos dias, apesar do cessar-fogo acordado com o Hezbollah, em novembro de 2024, e na terça-feira expandiram as posições terrestres que já ocupavam no sul do país.
As operações terrestres foram justificadas com a intenção de estabelecer um perímetro de segurança, desde que o Hezbollah retomou os ataques aéreos contra Israel, no seguimento dos bombardeamentos das forças israelitas e norte-americanas no Irão e a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei.
Fonte das forças de manutenção da paz da ONU no Líbano (FINUL) disse à agência de notícias France-Presse (AFP) que as tropas israelitas entraram em várias localidades e aldeias fronteiriças sob jurisdição das Nações Unidas no sul do Líbano.
“As forças israelitas estão presentes em várias vilas e cidades”, incluindo Houla, Kfar Kila, Kfar Shouba, Yaroun e Khiam, a seis quilómetros da fronteira, precisou a fonte da ONU.
Esta situação é uma repetição dos acontecimentos de outubro de 2024, quando as forças israelitas executaram bombardeamentos nas mesmas regiões libanesas e eliminaram grande parte da cúpula do Hezbollah, que nos meses anteriores lançara projéteis contra o norte de Israel, em apoio do aliado palestiniano Hamas, desde o inicio da guerra na Faixa de Gaza.
Na mesma altura, as tropas israelitas ocuparam cinco posições militares no sul do Líbano, que ainda conservam.
O Hezbollah afirmou hoje que os seus combatentes envolveram-se em confrontos diretos com soldados israelitas em Khiam, a seis quilómetros da fronteira, pela primeira vez desde o início das operações terrestres de Israel.
Em comunicado do movimento, o grupo libanês reivindicou 14 ataques contra posições israelitas.
O comandante do exército israelita ameaçou na terça-feira que vai continuar os ataques contra o Hezbollah até que o grupo seja desarmado e deixe de constituir uma ameaça para Israel.
“Estamos determinados a eliminar a ameaça representada pelo Hezbollah e não cessaremos até que esta organização seja desarmada”, avisou Eyal Zamir, após as autoridades de Beirute terem proibido as atividades militares das milícias do grupo aliado de Teerão, que fica apenas autorizado a desenvolver ações políticas.
O Líbano é um dos países mais expostos à escalada militar na região desde os ataques iniciados no sábado de Israel e Estados Unidos contra o Irão, que respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão, e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial” da República Islâmica e os seus aliados na região, incluindo o Hezbollah.
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