ONU eleva para 65 mil deslocados no Líbano devido a ofensiva israelita

Genebra, Suíça, 04 mar 2026 (Lusa) – Mais de 65 mil pessoas foram até agora deslocadas no Líbano devido à ofensiva israelita, e o número “está a aumentar rapidamente”, indicou hoje o Programa Alimentar Mundial (PAM).

A agência especializada das Nações Unidas afirmou que, nos últimos dois dias de escalada da violência no Líbano, conseguiu prestar assistência a 9.000 pessoas em 44 abrigos, em cooperação com o Governo libanês e outras organizações parceiras.

O Exército israelita ordenou aos residentes do sul do Líbano que abandonassem as suas casas e se deslocassem “de imediato” para norte do rio Litani, pouco antes de lançar ataques aéreos na região, no âmbito da escalada do conflito em curso contra o movimento xiita Hezbollah, aliado do Irão.

O antigo coordenador humanitário da ONU e secretário-geral da organização não-governamental (ONG) Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), Jan Egeland, também se juntou ao coro das preocupações sobre o elevado número de deslocados no Líbano, afirmando que os bombardeamentos israelitas “causaram centenas de mortos e feridos”.

“Dezenas de milhares de deslocados permanecem nas ruas ou estão alojados com familiares ou amigos”, disse o representante do NRC, alertando de que a evacuação a sul do rio Litani “perturbará ainda mais a vida de muitas pessoas”.

Egeland sublinhou que o impacto do atual conflito no Médio Oriente pode ser “devastador para os civis”, também no Irão, onde um grande número de pessoas teve de fugir ou procurar refúgio, na sequência do início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos, no sábado.

O responsável do NRC, uma organização que funciona em mais de 40 países, incluindo a maioria dos do Médio Oriente, recordou que o Irão acolhe mais de quatro milhões de refugiados afegãos, “muitos deles em condições extremamente precárias”.

Acrescentou que as atividades da ONG que dirige e de outras organizações humanitárias nos territórios palestinianos foram ainda mais prejudicadas por novas restrições de acesso, devido à escalada das hostilidades, especialmente na Faixa de Gaza, onde os postos de passagem fronteiriça estão encerrados há vários dias.

“Instamos todas as partes a reduzirem a tensão, protegerem a população civil e as infraestruturas, incluindo escolas e hospitais, a respeitarem as suas obrigações perante o Direito Internacional Humanitário e a permitirem o acesso seguro e irrestrito da ajuda” humanitária, afirmou Egeland em comunicado.

Israel e Estados Unidos lançaram a 28 de fevereiro uma ofensiva ao Irão para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, tendo matado o líder supremo iraniano, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, e grande parte dos responsáveis da Guarda Revolucionária.

O Conselho de Liderança Iraniano dirige o país na sequência da morte de Khamenei.

Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance de mísseis, o que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.

O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã, Iraque, Chipre e Turquia.

Segundo as autoridades iranianas, os ataques israelitas e norte-americanos causaram, até agora, mais de mil mortos. Os Estados Unidos confirmaram a morte de seis militares norte-americanos.

ANC // EJ

Lusa/Fim