TotalEnergies avança com acampamento para 2.000 trabalhadores em Moçambique

Maputo, 18 fev 2026 (Lusa) – A TotalEnergies está a avançar com a expansão do acampamento para 2.000 trabalhadores em Afungi, no megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Cabo Delgado, Moçambique, conforme concurso consultado pela Lusa, na retoma plena do empreendimento.

Em causa está um procedimento de manifestação de interesse para engenharia e fornecimento para expansão do acampamento de Afungi lançado pela CCS JV, consórcio contratado para o efeito pela multinacional francesa TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1, no norte de Moçambique.

A consulta, que decorre até 20 de fevereiro, carece da apresentação pelos concorrentes do detalhe de design, aquisição e entrega de alojamentos modulares de dois pisos para um acampamento de 2.000 pessoas. Inclui, lê-se, o fornecimento de mobiliário, equipamentos, iluminação interna, internet, telecomunicações, televisão por satélite, água potável e recolha de águas residuais nesse acampamento.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou em 29 de janeiro como símbolo de “resiliência, coragem e determinação” a retoma deste megaprojeto, suspenso há quase cinco anos devido a ataques terroristas.

“Hoje é dia de festa para Moçambique, para África e para o mundo”, disse então Chapo, recordando a importância do Mozambique LNG, “um dos maiores” no continente, e sublinhando a “retoma efetiva, total e completa” do projeto, com previsão de início de exportação de gás natural em 2029.

Após visitar a retoma formal das obras junto à bacia de Afungi, na presença do presidente da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, o chefe de Estado sublinhou que o dia representava “a vitória, resiliência, coragem e determinação do povo moçambicano perante as adversidades”.

Chapo recordou que só em receitas para o Estado, o Mozambique LNG vai contribuir com 35 mil milhões de dólares (29,2 mil milhões de euros) ao longo de 25 anos, implicando 17.000 postos de trabalho na fase de construção, atualmente já com mais de 4.000 nas instalações, sendo 80% dos quais moçambicanos.

Trata-se de um projeto avaliado em 20 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros) com capacidade para produzir 13 milhões de toneladas por ano (mtpa) a partir da bacia ‘offshore’ do Rovuma.

“A ‘força maior’ acabou”, disse por sua vez Patrick Pouyanné, na mesma intervenção, sublinhando tratar-se do maior investimento da TotalEnergies em África.

“Mas é imperativo pensar primeiro na segurança”, apontou Pouyanné, sendo que todo o complexo está envolvido atualmente sob fortes medidas de segurança, com a previsão de criação da nova cidade de Afungi, que na prática só está acessível por transportes aéreo e marítimo, por questões de segurança.

O consórcio Mozambique LNG retomou oficialmente em 29 de janeiro a construção do unidade de produção e exportação de GNL na baía de Afungi, suspenso desde abril de 2021, quando a TotalEnergies acionou a cláusula de ‘força maior’ após ataques terroristas.

O Governo determinou a obrigatoriedade de uma auditoria independente aos custos incorridos pelo projeto durante o período da ‘força maior’. Ficou ainda definido que o período de quatro anos e meio de ‘força maior’ não conta para o tempo da concessão, apesar de a TotalEnergies ter proposto a sua extensão por mais de 10 anos, para compensar prejuízos alegados de 4.500 milhões de dólares (3.870 milhões de dólares) desde 2021.

Moçambique tem três megaprojetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de GNL da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo de Cabo Delgado, incluindo este da TotalEnergies e outro da ExxonMobil (18 mtpa), de 30 mil milhões de dólares (26,1 mil milhões de euros) que aguarda decisão final de investimento, ambos em Afungi.

Soma-se o da italina Eni, que já produz desde 2022 cerca de sete mtpa, a partir da plataforma flutuante Coral Sul, que será duplicada a partir de 2028 com a plataforma Coral Norte, num investimento de 7,2 mil milhões de dólares (6,2 mil milhões de euros).

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