Moçambicana Renamo suspende histórico e ex-deputado por violar estatutos

Maputo, 10 fev 2026 (Lusa) – A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) anunciou hoje a suspensão imediata do ex-deputado António Muchanga a membro do partido por violar os estatutos da organização política, uma decisão que visa restaurar a disciplina interna, anunciou fonte oficial.

“Atendendo à gravidade, conduta reiterada e impacto público das infrações, o Conselho Jurisdicional Nacional delibera suspender o senhor António Muchanga da qualidade de membro do partido Renamo, com efeitos imediatos até nova decisão em contrário”, anunciou em conferência de imprensa o 1.º vogal do Conselho Jurisdicional da Renamo, Edmundo Panguene, em Maputo.

A decisão surge em resposta às declarações sistemáticos do ex-deputado em órgãos de comunicação social nacionais, plataformas digitais e encontros informais, nas quais “ataca frontalmente a liderança legitimamente constituída”, expondo matérias internas e conflitos partidários ao espaço público, explicou Manguene.

O representante recordou ainda que a medida foi tomada após uma “análise exaustiva” das ações do histórico e ex-deputado, assegurando não haver espaço para que outros membros abandonem a casa devido à sua suspensão.

No sábado, a Lusa noticiou que António Muchanga defendeu a saída de Ossufo Momade da liderança do partido, acusando-o de “falta de ideias” e de não realizar reuniões regulares conforme os estatutos da formação, pedindo união para tirar o presidente do partido do poder. 

O 1.º vogal do conselho jurisdicional caraterizou hoje as ações do ex-deputado como desobediência deliberada às orientações políticas dos órgãos competentes do partido, acusando ainda António Muchanga de violar o dever de guardar sigilo sobre as atividades internas da Renamo, levando ao enfraquecimento das autoridades institucionais, estando, por isso, proibido de absolutamente representar, falar, pronunciar-se ou agir em nome daquela formação política.

 Além dessa proibição, acrescentou, Muchanga está também proibido de usar o nome, símbolos, imagens, estruturas ou património político e sedes do partido, assim como está suspenso do direito de eleger e ser eleito para quaisquer órgãos da Renamo, por instrumentalizar os antigos combatentes desmobilizados, incentivando narrativas de confronto, tensão e violência, para “fins contrários aos princípios da Renamo e à paz social”.

O Conselho Jurisdicional advertiu que “a persistência ou reincidência na conduta ora sancionada constituirá fundamento bastante para a aplicação da sanção máxima de expulsão (…) sem prejuízo de eventual responsabilização civil e criminal, atenta na natureza de alguns atos praticados”.

Segundo Edmundo Manguene, a medida visa “chamar atenção aos membros que se desviam e que agem fora daquilo que são as balizas estabelecidas” no partido, recordando que nenhum membro está acima dos estatutos.

Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido, tendo convocado, na província de Maputo, sul do país, um encontro de dois dias para debater uma provável convocação de um congresso extraordinário e a apresentação da Comissão de Gestão por eles criada, face ao constante encerramento de delegações.

Além disso, o grupo tem ameaçado “agir doutra maneira” caso Ossufo Momade não se demita, defendendo ser o único caminho para evitar uma próxima derrota eleitoral, quando o mesmo tem ocupado, constantemente, as delegações provinciais, tendo agora criado e instalado comissões de gestão até à realização de novo Conselho Nacional, que já foi agendado pela formação partidária para março deste ano.

Também Alfredo Magumisse, membro sénior da Renamo, exigiu a demissão de Momade.

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