
Cidade do Panamá, 29 jan 2026 (Lusa) – O Presidente brasileiro, Lula da Silva, defendeu na quarta-feira a soberania do Panamá sobre o seu canal interoceânico, que Donald Trump ameaçou “retomar”, em declarações num encontro com o homólogo panamiano, José Raul Mulino, na capital panamiana.
Ao regressar à Casa Branca em janeiro de 2025, o Presidente dos Estados Unidos iniciou uma ofensiva diplomática contra o Panamá, considerando que a China controlava a rota marítima com dois portos nas suas extremidades, concessionados a uma empresa de Hong Kong.
Donald Trump chegou a exigir, sem sucesso, que os navios norte-americanos atravessassem o canal gratuitamente.
“O nosso país apoia plenamente a soberania do Panamá sobre o canal”, afirmou Luiz Inácio Lula da Silva, sem mencionar o líder norte-americano, durante uma cerimónia na sede do governo panamiano.
“Há quase três décadas, o Panamá administra de forma eficaz, segura e não discriminatória esta via fundamental para a economia mundial”, afirmou o chefe de Estado brasileiro.
“Defender a neutralidade do canal é defender um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilaterais”, acrescentou Lula da Silva.
O Presidente brasileiro participou na quarta-feira, ao lado de vários líderes latino-americanos, num fórum de dois dias organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e das Caraíbas (CAF), que hoje termina no Panamá.
Durante uma visita às instalações do canal, Lula manifestou-se “impressionado com o salto estrutural, tecnológico e operacional desde 2012, quando [viu] as eclusas pela última vez”.
Os Estados Unidos construíram e inauguraram o canal em 1914, mas entregaram-no ao Panamá em 31 de dezembro de 1999, em virtude de tratados bilaterais, que estipulam que todos os navios, independentemente do pavilhão, paguem uma taxa pela travessia, com base na tonelagem do navio e da carga.
Cerca de 6% do comércio marítimo mundial transita pelo canal de 80 quilómetros, que liga os oceanos Pacífico e Atlântico.
A autoridade independente que administra o canal lançou um concurso para a construção de dois novos portos. Vários grupos chineses manifestaram interesse, informou no final de novembro a Autoridade do Canal do Panamá.
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