Taxa de juro diretora em Moçambique cai para 9,25% após 12.º corte consecutivo

Maputo, 28 jan 2026 (Lusa) – O Banco de Moçambique cortou hoje, pela 12.ª vez consecutiva, a taxa de juro de política monetária MIMO, em 0,25 pontos, para 9,25%, prevendo a sua estabilização, mas alertando para o efeito das cheias nos preços.

“Esta decisão é sustentada pelas perspetivas de manutenção da inflação a um dígito no médio prazo, não obstante a materialização de alguns riscos e incertezas associados às projeções da inflação, com destaque, podem já imaginar, para a ocorrência de inundações e para a intensificação das tensões comerciais e geopolíticas. Este é o mundo que estamos a enfrentar neste momento”, anunciou o governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO).

Os receios de Zandamela prendem-se com as cheias em Moçambique desde o início de janeiro, com 700 mil pessoas afetadas e pelo menos 15 mortos, além de várias populações sitiadas e vias bloqueadas há semanas e prejuízos calculados provisoriamente em cerca de 600 milhões de euros.

A taxa de juro diretora em Moçambique esteve fixada em 17,25% desde setembro de 2022, após a intervenção do banco central, que depois iniciou cortes consecutivos a partir de 31 de janeiro de 2024, quando reduziu para 16,5%. Em março do ano passado o Banco de Moçambique cortou para 15,75%, que se foram repetindo em todas as reuniões seguintes, até chegar a 9,75% em setembro, 9,50% em novembro e agora 9,25%.

“Entretanto, em face do agravamento destes riscos e das incertezas, o CPMO considera que se aproxima o fim do ciclo de redução da taxa MIMO iniciado em janeiro de 2024”, disse ainda Zandamela, recordando que essa trajetória descendente poderia prolongar-se, na previsão inicial, até 36 meses.

“A perspetiva da inflação mantém-se em um dígito no médio prazo. Em dezembro de 2025, a inflação anual fixou-se em 3,2%, após 4,4% em novembro. Estamos como a inflação um sucesso, a um nível razoável, a um nível baixo da nossa inflação. É algo que nos orgulha”, apontou.

Insistiu que “em face do agravamento dos riscos e incertezas, o CPMO considera que se aproxima o fim do ciclo de redução da taxa MIMO, iniciado em janeiro de 2024.

“No curto e médio prazo, destacam-se, a nível doméstico, como risco e incertezas associadas às projeções da inflação, primeiro, a magnitude do impacto das recentes inundações na cadeia logística e na oferta de bens, segundo, o ritmo da reposição da capacidade produtiva e, por último, o efeito dos atrasos no pagamento da dívida pública pelo Estado”, elencou.

A nível externo, Zandamela destacou “o agravamento do das tensões comerciais e geopolíticas, temos estado todos a acompanhar, suscetíveis de afetar o comportamento dos preços das mercadorias e alimentos”.

O CPMO reúne-se a cada dois meses e a próxima está agendada para 30 de março de 2026.

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