
Luanda, 25 jan 2026 (Lusa) — O embaixador de Timor-Leste em Angola disse que o país asiático está “de portas abertas” a empresários e investidores angolanos e garante facilidades institucionais, cruzando diplomacia económica e língua portuguesa como plataforma comum de negócios.
Em entrevista à agência Lusa, Ivo Jorge Valente, que apresentou cartas credenciais no passado mês de outubro, explicou como a recente abertura da representação diplomática em Luanda pretende ser um instrumento de aproximação política e económica entre os dois países.
A missão diplomática, que foi encerrada em setembro de 2019 e reabriu em 2024, visa proteger os interesses do Estado timorense e apoiar os seus cidadãos, mas sobretudo dinamizar a cooperação bilateral, encaminhar investidores e promover ligações com decisores políticos e institucionais em Díli.
“Convidamos os nossos irmãos e irmãs investidores para visitar o país”, afirmou o diplomata, assegurando que Timor-Leste se encontra numa fase ativa de construção e desenvolvimento e que as autoridades estão preparadas para acolher investimento estrangeiro, em particular proveniente de Angola.
A escolha de Angola como sede de uma das poucas representações diplomáticas timorenses em África não acontece por acaso.
Além de Moçambique, Luanda integra o reduzido grupo de capitais africanas com missão permanente de Timor-Leste, refletindo uma aposta clara na lusofonia e numa aproximação gradual ao continente africano.
Segundo Ivo Valente, esta presença permite “estar mais perto” de Angola e reforçar uma relação histórica assente em laços políticos, culturais e humanos.
Desde 2002, Angola e Timor-Leste assinaram oito acordos de cooperação, reforçados em 2024 com a visita do Presidente timorense, José Ramos-Horta, que abrangem áreas políticas, culturais e institucionais e espelham uma relação que descreveu como próxima entre os dois povos.
Entre os principais fatores de união, estratégica para o futuro da cooperação, Ivo Valente apontou a língua portuguesa, não apenas como elemento identitário, mas também instrumento de integração internacional, facilitando a articulação no seio de organizações como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e as Nações Unidas. O diplomata reconheceu, contudo, desafios no ensino da língua em Timor-Leste, defendendo um reforço da cooperação com países lusófonos, incluindo Angola, na formação e capacitação.
No plano económico, com o petróleo e o gás a ocuparem um lugar central, sendo fonte primordial de receitas para ambos os países, Timor-Leste quer também beneficiar da experiência angolana neste setor, identificando ainda como prioridade a diversificação económica.
Ivo Valente identificou o turismo, a agricultura — com destaque para o café – e as pescas como áreas com elevado potencial, capazes de reduzir a dependência dos recursos energéticos.
O embaixador sublinhou que estas áreas oferecem oportunidades de cooperação e investimento, mas admite que a fase atual é ainda de consolidação da presença diplomática e de intensificação do diálogo com as instituições angolanas.
Alguns empresários angolanos já realizaram visitas exploratórias a Timor-Leste, numa lógica de prospeção de mercado, deslocações que, segundo o diplomata, resultaram numa avaliação positiva do ambiente local.
Paralelamente, Timor-Leste participa em programas de cooperação institucional financiados pela União Europeia, envolvendo países africanos de língua portuguesa, com foco no reforço das capacidades do Estado nas áreas da justiça, legislação e administração pública, visando, por exemplo, o intercâmbio de magistrados.
A concluir, o embaixador reiterou o convite ao setor privado angolano, sublinhando que Timor-Leste vive um período de forte investimento em infraestruturas, como estradas, pontes e edifícios públicos, e procura parceiros para acompanhar esse processo.
“A porta está aberta”, garantiu, assegurando que a embaixada em Luanda está disponível para prestar informação, facilitar contactos e apoiar todos os que queiram investir no país.
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