
Lisboa, 24 jan 2026 (Lusa) — O antigo ministro português da Defesa e dos Negócios Estrangeiros Augusto Santos Silva repudiou hoje as críticas do Presidente norte-americano aos aliados da NATO na guerra do Afeganistão, elogiando o “profissionalismo e competência” de milhares de militares portugueses.
Numa mensagem publicada no seu perfil na rede social Facebook, Santos Silva considera que as declarações de Donald Trump “insultam também Portugal”.
“Milhares de militares portugueses serviram no Afeganistão cumprindo ordens do Governo português, no quadro da Aliança Atlântica, em resultado da única vez em que o artigo 5.º foi ativado na história da NATO, precisamente em auxílio (repito, em auxílio) dos EUA”, comenta o antigo ministro socialista, referindo-se ao pedido dos Estados Unidos após o ataque de 11 de setembro de 2001, desencadeando uma guerra de 20 anos no Afeganistão.
Entre as missões atribuídas ao contingente português incluiu-se a proteção do aeroporto de Cabul, exemplifica.
“Todos os nossos militares se destacaram pelo seu profissionalismo e competência. (…) Todos correram riscos enormes. Dois morreram”, salienta.
Para Santos Silva, Donald Trump “não passa de um aldrabeco que descobriu um defeito ósseo nos pés para escapar ao serviço militar”.
Trump, sublinha, “não pode insultar os mortos de todos os aliados e, em particular, não pode insultar os portugueses mortos e veteranos que serviram a luta contra o terrorismo e cumpriram os deveres de aliado, sem que uma voz portuguesa se levante e diga: alto, homem, com a honra das Forças Armadas Portuguesas ninguém pode brincar!”.
Na mensagem, publicada cerca das 15:00 de hoje, Santos Silva ressalva que, até então, não tinha conhecimento de “nenhuma reação das autoridades portuguesas competentes”.
“Se houve já protesto das autoridades, aplaudo-o vigorosamente. Se não houve ainda, aqui fica o meu”, afirma.
Não houve, até ao momento, qualquer comentário do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, nem de membros do Governo às declarações de Donald Trump.
O antigo ministro socialista ocupou a pasta da Defesa entre 2009 e 2011 e a dos Negócios Estrangeiros entre 2015 e 2021, ocasiões em que lidou “de perto com a operação no Afeganistão”.
Numa entrevista na quinta-feira ao canal norte-americano Fox News, o Presidente Trump criticou o papel dos outros países membros da NATO durante os 20 anos de conflito (2001-2021), assegurando que os Estados Unidos “nunca precisaram deles”.
“Vão dizer que enviaram algumas tropas para o Afeganistão… e conseguiram, mas ficaram um pouco para trás, um pouco afastados das linhas da frente”, disse, afirmando que a NATO não ajudaria os Estados Unidos em caso de necessidade.
As declarações de Trump têm gerado críticas dos aliados europeus, nomeadamente do Reino Unido, que exigiu um pedido de desculpas, bem como dos governos de Itália, Alemanha e Dinamarca.
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