
Los Angeles, 23 jan 2026 (Lusa) – A nova série “The Gray House”, produzida por Kevin Costner e Morgan Freeman, conta a história verídica das mulheres que montaram uma rede de espionagem para derrotar a Confederação dos Estados Unidos, que queria continuar a ter escravos.
Protagonizada por Mary-Louise Parker e situada entre 1861 e 1865, durante a Guerra Civil norte-americana, a série da Amazon Prime Video revela o papel histórico de quatro mulheres em Richmond, Virgínia, que nunca receberam o crédito devido pelo que fizeram em prol da União.
“Ninguém tinha consideração pelas mulheres. Não acreditavam que pudessem ser espiãs”, disse hoje o produtor e argumentista Leslie Greif, numa exibição de lançamento da série em Los Angeles a que a Lusa assistiu. “Não pensaram que seriam um problema, por isso elas conseguiram esconder-se à vista de todos”.
A história verídica, mas largamente desconhecida, desta rede de espiãs foi reconstruída através de cartas, registos domésticos e histórias orais passadas de geração em geração. “The Gray House”, ou “a casa cinza”, refere-se à contraparte da Casa Branca, o edifício onde se instalou o presidente da Confederação, Jefferson Davis.
“Esta história é um lembrete e infelizmente acho que não podia ser mais oportuno”, afirmou Greif. “É muito importante que as pessoas percebam onde estávamos, onde estamos agora e que tenham um momento de pausa para refletir”.
A divisão nos Estados Unidos entre os abolicionistas da escravatura e os esclavagistas era tão profunda que levou à secessão de vários estados e à Guerra Civil. Leslie Greif comparou o momento histórico à fratura que se vive atualmente no país.
“Vamos fazer 250 anos e de repente podemos estar outra vez num sítio muito diferente”, disse o produtor. “Quando começámos não nos apercebemos de como este momento seria tão propício, e espero que inspire as pessoas”.
Sem grande orçamento inicial, a equipa conseguiu a rampa de lançamento quando Kevin Costner e Morgan Freeman entraram em jogo e convenceram a Paramount a comprar o projeto.
“Foi um tempo muito assustador e o heroísmo destas mulheres não era brincadeira”, disse Kevin Costner, no evento. “Foi um tempo perigoso, cidadão contra cidadão. E estas mulheres viram-se metidas numa região do país com a qual não concordavam”.
Costner disse estar muito orgulhoso pela sua associação à produção e à sua mensagem. “Fiquei muitas vezes comovido”, partilhou, contando como ele e Morgan Freeman conseguiram que a Paramount desse luz verde. “Agora, o projeto vive, podemos transmiti-lo. Esta é uma guerra da qual ainda não recuperámos”.
A União derrotou a Confederação, mas a bandeira dos esclavagistas ainda é uma presença comum nos estados do Sul como Texas e Geórgia. A série mostra a brutalidade do confronto e a complexidade da situação das mulheres, que não eram levadas a sério nem tinham qualquer poder social.
“Somos muitas vezes subestimadas”, salientou Lori McCreary, cofundadora da Revelations Entertainment juntamente com Morgan Freeman. A produtora falou das filmagens, que aconteceram na Roménia, e do peso da realidade que retrataram. “Houve muitas vezes em que estávamos de lado a assistir e a tentar aguentar para não chorar”.
“The Gray House”, que inclui no elenco Ben Vereen, Daisy Head e Amethyst Davis, estreia-se a 26 de fevereiro na Amazon Prime Video.
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