
Lisboa, 16 jan 2026 (Lusa) — Num tempo de exibição de cinema quase só em digital, a Cinemateca Portuguesa vai mostrar, no sábado em Lisboa, como se projeta um filme em vários formatos de película, com explicações de um projecionista.
Segundo a Cinemateca Portuguesa, José Martins, um dos seus sete projecionistas, “sairá do anonimato da cabine” para explicar as especificidades de vários formatos de película, numa sessão em que vão estar instalados quatro projetores diferentes na sala.
“Ao longo dos mais de cem anos do cinema, os filmes foram existindo em diferentes formatos de película: 70mm (milímetros), 65mm, 35mm, 17.5mm, 16mm, 9,5mm, 8mm e outros mais experimentais”, correspondendo a cada um diferentes máquinas, explica a Cinemateca em nota de imprensa.
Na sessão, serão mostrados “O regador regado” e “Barca saindo do porto”, dois filmes de Louis Lumière, de 1895, “Pluto na terra das tulipas” (1946), de Charles A. Nichols, e “Proposal to Project in 4:3” (2016), de Viktoria Schmid, aos quais se juntam dois filmes curtos portugueses: “O Caldo da Pedra” (1976), de Artur Correia, e “Hoje estreia” (1967), de Fernando Lopes.
Esta iniciativa de sábado faz parte do ciclo “Uma Cinemateca em Chamas – Histórias de Projeção e Projecionistas”, que a Cinemateca Portuguesa programa este mês, lembrando que, “com a digitalização e automatização das salas, a figura do projecionista quase desapareceu dos cinemas comerciais”.
“A missão de um Museu do Cinema é não só preservar os filmes [muitas vezes em suportes originais frágeis e altamente inflamáveis], mas preservar também o modo como estes foram apresentados ao público”, sustenta.
Este ciclo inclui igualmente filmes escolhidos pelos projecionistas da Cinemateca e conta com uma exposição documental, iconográfica e de aparelhos de projeção, intitulada “Project”, que fica patente até junho.
Entre os filmes integrantes deste ciclo destacam-se dois que são retratos deste trabalho invisível do cinema e que passam no dia 20: “A morte do cinema” (2003), de Pedro Senna Nunes, e “Cães sem coleira” (1996), de Rosa Coutinho Cabral.
O primeiro é sobre Álvaro Dias, mecânico de automóveis que nas horas vagas construiu de raiz um projetor de cinema. “Nos anos da ditadura, fez da sua garagem uma sala de cinema clandestina onde exibia ‘filmes apimentados'”, refere a Cinemateca, à qual foi entregue o espólio daquele projecionista.
O segundo filme apresenta António Feliciano que, nos anos 1990, era um dos últimos projecionistas de cinema ambulante do país.
SS // TDI
Lusa/fim
