Líderes do Brasil e Panamá defendem estabilidade na América Latina e Caraíbas

Rio de Janeiro, 16 jan 2026 (Lusa) — O Presidente do Brasil e o líder do Panamá conversaram sobre a situação na Venezuela e defenderam a necessidade de preservar a paz e a estabilidade na América Latina e nas Caraíbas, informaram fontes oficiais.

Durante a conversa, na quinta-feira, Luiz Inácio Lula da Silva e José Raúl Mulino reiteraram a importância do reforço das Nações Unidas, da defesa do direito internacional e do diálogo como instrumentos essenciais para a resolução de conflitos na região.

Segundo um comunicado divulgado pela Presidência da República brasileira, a conversa por telefone aconteceu por iniciativa de Mulino, para discutir assuntos relacionados com a visita de Lula ao Panamá, onde participará no Fórum Económico Latino-Americano e Caribenho, a 28 de janeiro.

Durante a conversa, os líderes concordaram em realizar uma reunião bilateral no Panamá para discutir comércio, investimentos e cooperação, após a recente adesão do país como membro associado do Mercosul.

Mulino será um dos chefes de Estado presentes na assinatura do Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e o Mercosul, no sábado, em Assunção, no Paraguai, após 26 anos de negociações.

Estão também confirmados os líderes da Argentina, Javier Milei, do Uruguai, Yamandú Orsi, e da Bolívia, Rodrigo Paz, que estarão no evento juntamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

O Presidente paraguaio, Santiago Peña, será o anfitrião do evento.

Lula será o único presidente de um país membro do Mercosul ausente da cerimónia — embora seja possível uma alteração de última hora —, mas vai reunir-se hoje com Von der Leyen e António Costa, no Rio de Janeiro.

De acordo com fontes diplomáticas, a reunião no Paraguai foi inicialmente planeada como um encontro ministerial, mas, à última hora, o nível foi elevado para uma cimeira de chefes de Estado.

As fontes sublinharam que Lula tem sido um dos principais defensores do acordo e o que mais tem insistido na sua assinatura.

Tanto que fez tudo o que era possível para garantir que o acordo fosse finalizado em dezembro, quando o Brasil ainda detinha a presidência do Mercosul, um objetivo travado pelas objeções de Itália.

Os Estados Unidos lançaram em 03 de janeiro um ataque contra a Venezuela para capturar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.

Delcy Rodriguez, vice-presidente executiva de Maduro, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que “Portugal respeita sempre e acha que se deve respeitar a legalidade e a Carta das Nações Unidas”, sublinhando que há “aspetos benignos” da intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, desde logo “a queda de Maduro”.

A comunidade portuguesa e lusodescendentes na Venezuela, na sua maioria da Madeira, é estimada em meio milhão de pessoas.

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