Moçambique quer renegociar dívida depois de acordar programa com o FMI – Chapo

Abu Dhabi, 15 jan 2026 (Lusa) – O Governo de Moçambique vai tentar renegociar a dívida com os parceiros depois de alcançar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre um novo programa de assistência financeira, anunciou o Presidente, Daniel Chapo.

Em entrevista à agência de informação financeira Bloomberg no âmbito da visita aos Emirados Árabes Unidos, Chapo afirmou: “O que queremos neste momento é concluir o acordo com o FMI e depois avançar para o aspeto que está a mencionar, nomeadamente a renegociação da dívida com os parceiros internacionais”.

Segundo o chefe de Estado moçambicano, que concluiu recentemente um ano à frente da Presidência deste país africano lusófono, “é preciso estabelecer confiança primeiro”, mas pelo menos para já fica de fora a renegociação da dívida com os credores dos 900 milhões de dólares [773 milhões de euros] de dívida pública emitida no seguimento do chamado escândalo das dívidas ocultas, em 2016.

“Neste momento, não”, respondeu Chapo à pergunta se os termos da emissão de Eurobonds poderiam alterar-se, o que muito provavelmente acarretaria uma descida do ‘rating’ de Moçambique.

“Vamos considerar tudo isto depois de fechar este pacote, a que chamo o pacote para estimular a situação macroeconómica do país”, afirmou ainda Chapo, apontando que o novo programa com o FMI poderá ficar fechado em março.

O custo que os investidores cobram para transacionar a dívida pública moçambicana no mercado secundário subiu hoje 51 pontos-base, para 14,4%, pouco depois da divulgação da entrevista pela Bloomberg, liderando a lista dos piores desempenhos nos mercados emergentes.

O programa do FMI em Moçambique acabou no princípio de 2025, quando o Governo decidiu não continuar as revisões programadas relativas ao programa de três anos, devido à violência que varreu o país no último trimestre de 2024 em protesto contra os resultados eleitorais, e que, na prática, fez descarrilar todas as metas.

A economia cresceu apenas 1,1% no ano passado, mas deverá melhorar para 2,8% este ano, de acordo com as previsões do Banco Mundial divulgadas esta semana, mas ainda assim abaixo da média da região, que deverá crescer 4,3% em 2026.

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