
Washington, 13 jan 2026 (Lusa) – O Banco Mundial reviu em baixa a previsão de crescimento económico para todos os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) este ano, à exceção de Guiné-Bissau e Angola, que mantêm crescimentos de 5,2% e 2,6%.
No relatório sobre as Perspetivas Económicas Globais, hoje divulgado em Washington, os economistas do Banco Mundial referem do lado positivo que as condições de financiamento começaram a melhorar, com várias economias, incluindo Angola, República do Congo, Quénia e Nigéria, a recuperar o acesso aos mercados de capitais internacionais.
Em 2025, “Angola, apesar dos ganhos nos setores não petrolíferos, a fraqueza do setor petrolífero pesou sobre a produção”, escrevem.
O crescimento económico do segundo maior produtor de petróleo na região, a seguir à Nigéria, foi “prejudicado pelos preços mais baixos do petróleo em relação ao ano anterior, pelo subinvestimento no setor e pelo impacto negativo do envelhecimento dos campos petrolíferos”, escrevem os economistas numa das poucas referências aos países lusófonos no capítulo sobre a África subsaariana.
Este ano, olhando para a tabela que apresenta as previsões do Banco Mundial de crescimento económico para os países da região, constata-se que dos países lusófonos apenas Angola mantém a estimativa feita em junho, de 2,6%, e uma melhoria para 2,8% em 2027, abaixo da média regional de 4,3% este ano e de 4,5% em 2027.
Cabo Verde deverá crescer 5,2% este ano e 5% em 2027, o que representa uma queda de 0,1 pontos face às previsões de junho, enquanto a Guiné Equatorial deverá cresce 0,4% este ano e 1% em 2027, o que revela uma queda 0,2 pontos para este ano face à previsão de junho, mas uma melhoria de 2,1 pontos relativa a 2027.
A Guiné-Bissau deverá registar um crescimento de 5,2% neste e no próximo ano, sem alteração face às previsões de junho, enquanto Moçambique deverá acelerar para 2,8% este ano (menos 0,7 pontos que a previsão de junho) e 3,5 no próximo ano, depois de um abrandamento para 1,1% no ano passado devido à “persistente fraqueza do investimento, crescente escassez de divisas e pelos efeitos da agitação pós-eleitoral”.
São Tomé e Príncipe cresce 4% e 3,5% neste e no próximo ano, o que representa uma revisão em baixa de 0,6 e 0,8 pontos percentuais, respetivamente.
“Apesar da melhoria da perspetiva de evolução económica da região, os ganhos no rendimento per capita vão continuar inadequados para um progresso significativo na pobreza e no aumento da criação de emprego”, escrevem os economistas do Banco Mundial nas Perspetivas Económicas Globais, hoje divulgadas em Washington.
No capítulo dedicado à África subsaariana, o Banco Mundial diz que “os riscos relativos às previsões continuam a ser descendentes”, incluindo uma redução da procura externa, preços mais baixos das matérias-primas, aumento da instabilidade política regional e uma deterioração dos conflitos em curso na região, para além da questão do apoio financeiros dos doadores externos, que, a reduzir-se ainda mais, “aumentará a vulnerabilidade das economias da região a choques de saúde e a desastres naturais”.
No documento, o Banco Mundial melhora ligeiramente a previsão para o crescimento de 2025 na África subsaariana face ao que tinha estimado em junho, melhorando de 3,7% para 4% a expansão económica para a região que engloba a maioria dos países lusófonos, principalmente devido à redução da inflação, ao aumento dos preços das matérias-primas, nomeadamente o ouro, mas alerta que a média esconde realidades muito diferentes nos países, com metade a acelerarem o crescimento e a outra metade a abrandar a expansão económica.
Entre principais preocupações dos economistas do Banco Mundial na região está a insegurança alimentar, os elevados montantes de dívida e os persistentemente elevados níveis de pobreza.
MBA // ANP
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