
A viagem do primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, à China marca o primeiro contacto deste nível em oito anos e surge num contexto de tentativa de reaproximação após um longo período de fricção diplomática e económica. A deslocação, prevista para meados de Janeiro, insere-se num esforço mais amplo para retomar canais de diálogo, depois de contactos limitados entre as lideranças desde 2017.
Antes desta visita, Mark Carney e o Presidente da China, Xi Jinping, tiveram um encontro oficial à margem do fórum da Cooperação Económica Ásia-Pacífico, realizado na Coreia do Sul, que abriu espaço para um convite formal a Pequim.
Embora não esteja confirmada uma reunião presencial durante a viagem, a agenda inclui temas de segurança internacional e comércio, com atenção particular aos sectores da energia e da agricultura.
As relações bilaterais deterioraram-se de forma acentuada a partir de 2018, um período marcado por detenções de cidadãos, acusações de interferência política e a imposição de tarifas mútuas sobre diversos produtos.
Paralelamente às questões comerciais, a segurança tem sido um ponto sensível. Durante a campanha eleitoral, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, referiu-se à China como um dos principais desafios à segurança do país, associando essa avaliação a alegadas atividades de interferência política e ao interesse chinês no Árctico.
Uma investigação federal canadiana concluiu posteriormente que a China é o ator estrangeiro mais ativo em tentativas de interferência nas instituições democráticas do país.
Apesar das divergências, o governo canadiano defende uma estratégia baseada na cooperação onde existam interesses comuns, mantendo ao mesmo tempo a defesa dos seus interesses nacionais.
Esta posição reflete a intenção de gerir a relação com a China de forma equilibrada, procurando avanços práticos em áreas partilhadas sem descurar questões sensíveis que continuam a marcar o diálogo entre os dois países.
