Pequim acusa Presidente de Taiwan de promover a confrontação

Pequim, 01 de Jan 2026 (Lusa) — A China acusou hoje o Presidente de Taiwan, William Lai, de promover o confronto entre as duas partes, reafirmando a sua oposição a qualquer iniciativa “independentista”, em resposta ao discurso de Ano Novo proferido pelo líder taiwanês.

A resposta foi formulada pelo porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (executivo) chinês Chen Binhua, em resposta a uma pergunta de jornalistas sobre a mensagem de Ano Novo de Lai, na qual o líder taiwanês alertou para o aumento da pressão da China e defendeu o reforço da defesa e da resiliência democrática da ilha.

Chen afirmou que o discurso de William Lai está repleto de “mentiras e delírios, hostilidade e malícia” e sustentou que o Presidente taiwanês volta a “divulgar falácias separatistas de ‘independência de Taiwan’”, com o objetivo, segundo Pequim, de “incitar a confrontação em ambos os lados do Estreito” e apresentar o debate em termos de “democracia versus autoritarismo”.

O porta-voz afirmou que as palavras de Lai evidenciam a sua “recusa obstinada em abandonar a sua postura independentista” e classificou-o de “sabotador da paz, fabricante de crises e instigador da guerra”, em declarações divulgadas pelos meios de comunicação oficiais chineses.

Segundo Chen Binhua, desde que assumiu o cargo Lai adotou políticas que, na opinião de Pequim, “agravam as tensões no Estreito de Taiwan” e promovem uma estratégia orientada para “preparar-se para a guerra em busca da independência”, o que, afirmou, estaria a empurrar a ilha para um cenário de conflito armado.

O porta-voz também acusou o líder taiwanês de “desperdiçar o dinheiro arduamente ganho pela população” em prol de objetivos políticos.

No plano interno, Chen afirmou que Lai aplica um “governo autoritário” e denunciou o que descreveu como restrições às liberdades, deterioração do Estado de direito e a criação de um “efeito assustador” na sociedade taiwanesa, ao mesmo tempo que questionou que ele possa “falar de democracia e liberdade”.

O porta-voz reiterou a posição de princípio de Pequim ao afirmar que “Taiwan faz parte da China” e que o objetivo de independência taiwanesa “está condenado ao fracasso”.

Acrescentou que “a reunificação será inevitavelmente realizada” e pediu à população da ilha que “reconheça os danos da independência”, se oponha à “ingerência externa” e trabalhe juntamente com o continente pela “paz e estabilidade no Estreito”.

A reação chinesa surge após o discurso de Ano Novo de Lai, proferido num contexto de tensões militares persistentes, incluindo recentes manobras com fogo real do exército chinês, e diplomáticas em torno de Taiwan, uma ilha governada de forma autónoma desde 1949 e reivindicada por Pequim como parte do seu território.

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