
Genebra, 30 nov 2025 (Lusa) – Os cidadãos suíços rejeitaram hoje em referendo uma proposta para substituir o atual serviço militar obrigatório para os homens por um novo “serviço cidadão” que incluiria também as mulheres e abrangeria tarefas além da segurança.
Os dados provisórios do referendo, quando estão apurados os resultados de 25 dos 26 cantões do país, indicam que 84% dos eleitores votaram “não” à proposta que previa também tarefas como a proteção climática e a prevenção de catástrofes no âmbito do serviço militar obrigatório.
A iniciativa procurava “estender a noção de segurança a outras áreas, como a proteção climática, a segurança alimentar e a assistência”, mas o Governo e o Parlamento fragmentado tinham instado os eleitores a oporem-se, argumentando que o exército e as agências de proteção civil desempenham um papel central na segurança nacional.
No Parlamento, os conservadores detêm 31%, os socialistas 20% e os liberais e democratas-cristãos 14% cada.
Os promotores — a organização “Por uma Suíça Integrada” — argumentaram que a Suíça está ameaçada não só militarmente, mas também por ciberataques, escassez de energia e desastres climáticos, como o deslizamento de terras que este ano destruiu uma aldeia inteira num vale alpino.
Apresentaram também a iniciativa como uma forma de combater o crescente individualismo na sociedade através de atividades de solidariedade partilhada.
O Governo e o Parlamento opuseram-se, argumentando que duplicar o número de pessoas que se alistam no serviço militar ou em serviços alternativos, dos atuais 35.000 para 70.000, excederia as necessidades do país.
Além disso, referiram, duplicaria os custos associados à segurança social e à indemnização por desemprego, para quase dois mil milhões de francos suíços (aproximadamente 2,1 mil milhões de euros).
Na Suíça, o serviço militar para os homens é obrigatório desde o século XIX, embora atualmente seja permitido escolher entre as forças armadas e a proteção civil.
Os objetores de consciência, cujo número está a aumentar, podem optar por um serviço civil mais longo ou pagar uma taxa de isenção que é deduzida do seu rendimento anual durante vários anos.
Os jovens suíços que servem nas forças armadas passam cerca de 18 semanas numa escola de recrutamento e, nos anos subsequentes, têm de completar cursos de reciclagem de pouco mais de duas semanas, acumulando um total de cerca de oito meses de serviço militar.
As mulheres suíças podem também prestar serviço militar ou a sua alternativa na proteção civil, embora seja voluntário.
O sistema está profundamente enraizado e muitos consideram-no parte da identidade nacional da Suíça.
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