
Londres, 29 nov 2025 (Lusa) — O dramaturgo e argumentista britânico Tom Stoppard, autor de “Rosencrantz e Guildenstern estão mortos” e “Agora a Sério”, morreu aos 88 anos no condado de Dorset, Reino Unido, anunciou hoje a empresa que o agenciava.
O autor “morreu de forma pacífica em casa, em Dorset, rodeado pela família”, referiu a United Agents em comunicado.
Tom Stoppard escreveu para teatro, cinema e rádio; transpôs textos seus de um palco para o outro e assinou também adaptações literárias, movimentando-se entre os clássicos e a cultura pop.
Era um dos poucos autores a dar origem a um adjetivo, “Stoppardiano”, no dicionário de Oxford, pela marca identitária impressa nos textos que assinou, escreveu hoje o jornal The Guardian.
“Depois de Magritte”, “Rock n’Roll”, “Agora a Sério” e “Rosencrantz e Guildenstern estão mortos” são alguns dos textos dramatúrgicos de Tom Stoppard que foram encenados em Portugal.
Em 1990, realizou uma adaptação para cinema de “Rosencrantz e Guildenstern estão mortos”, uma tragicomédia inspirada na peça “Hamlet”, de Shakespeare, com a qual venceu o Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza.
Do longo e premiado percurso — cinco das suas peças foram distinguidas com os prémios Tony de teatro -, destaque ainda para a coescrita do argumento do filme “A paixão de Shakespeare” (1998), com Marc Norman, ou a adaptação para cinema de “A Casa da Rússia” (1990), de John le Carré, e “O império do sol” (1987), de J. G. Ballard.
Foi ainda um dos coargumentistas do filme distópico “Brazil” (1985), realizado por Terry Gilliam.
“Leopoldstadt”, de 2020, é um dos seus mais recentes textos para teatro e que o próprio considerou como um dos mais pessoais, depois de ter descoberto a verdadeira história de família, judia, e que muitos dos seus familiares checos morreram em campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.
Tom Stoppard nasceu na antiga Checoslováquia em 1937, mas, por causa da invasão nazi, a família conseguiu fugir em 1939 para Singapura e depois para a Índia. Com a morte do pai, a mãe voltou a casar com um oficial britânico, adotando Stoppard como apelido e o Reino Unido como casa.
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