
Bratislava, 24 nov 2025 (Lusa) — A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, incentivou a União Europeia (UE) a aproveitar o mercado único para impulsionar a inteligência artificial (IA) e eliminar os obstáculos que a impedem de ser competitiva nesta tecnologia.
Para Christine Lagarde, é necessário “agir agora para remover os obstáculos que atrasariam a disseminação da IA e, também, a prosperidade de todos os europeus nas próximas décadas”.
“A Europa deve aproveitar o poder do mercado único para garantir a interoperabilidade e os sistemas abertos”, alertou a representante do BCE num fórum sobre inteligência artificial e educação que hoje decorreu em Bratislava, capital da Eslováquia.
Segundo dados do BCE, o investimento global em IA atingiu os 252 mil milhões de dólares (cerca de 219 mil milhões de euros) no último ano, com as empresas privadas de IA a captarem no mercado um valor recorde de 100 mil milhões de dólares (87 mil milhões de euros).
Cinco dos principais investidores norte-americanos em capital de risco estão focados principalmente na IA, quando há uma década nenhuma dessas empresas estava sequer entre as dez maiores do setor.
“Com os EUA e a China na liderança, a Europa já perdeu a oportunidade de ser pioneira na IA”, mas “pode ainda emergir como uma forte segunda força motriz se agir com determinação”, considerou a presidente do BCE.
“Ao focar-se na rápida adoção e na utilização inteligente das tecnologias de IA existentes nos diversos setores, a Europa pode transformar um arranque tardio numa vantagem competitiva”, enfatizou.
Para alcançar esse objetivo, “precisamos de remover todos os obstáculos que nos impedem de abraçar esta transformação. Caso contrário, corremos o risco de perder a onda de adoção da IA e comprometer o futuro da Europa”, disse ainda.
Sugerindo que as empresas podem partilhar dados operacionais e treinar modelos de IA que nenhuma conseguiria desenvolver sozinha, Lagarde citou, como exemplos, o Manufacturing-X e o Catena-X no setor automóvel, que apoiam a partilha de dados, ou o Espaço Europeu de Dados de Saúde que facilita a interoperabilidade dos registos médicos.
A presidente do BCE considerou ainda que a Europa deve ter a sua própria capacidade de computação baseada na produção de chips e na instalação de centros de dados, para não depender de terceiros.
A redução dos custos energéticos, a simplificação das regulamentações na UE e a garantia de que os mercados de capitais conseguem “integrar e canalizar o financiamento de risco a longo prazo e em grande escala” foram também defendidos por Lagarde.
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