Países nórdicos vão criar forças aéreas capazes de efetuar operações conjuntas

Helsínquia, 12 nov 2025 (Lusa) — Os ministros de Defesa dos países nórdicos acordaram hoje em Helsínquia criar forças aéreas capazes de realizar operações conjuntas, de maneira a reforçar a defesa da NATO no Ártico.

“Vamos aprofundar a nossa cooperação para conseguir uma capacidade conjunta de planeamento e execução de operações aéreas nos países nórdicos. Isto é essencial para reforçar a dissuasão e a defesa da NATO no Ártico”, afirmou o ministro da Defesa finlandês, Antti Hakkanen, num comunicado conjunto.

Na reunião da Cooperação Nórdica no domínio da Defesa (Nordefco) estiveram presentes os ministros da Defesa da Finlândia, da Suécia, da Noruega e da Dinamarca, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Islândia e a secretária-geral adjunta da NATO, Radmila Shekerinska.

Hakkanen sublinhou que os países nórdicos “percorreram um longo caminho” na sua cooperação em matéria de defesa e afirmou que, entre eles, irão ter à sua disposição mais de 200 aviões de combate de nova geração até ao início da próxima década.

“Entretanto, ainda há trabalho a fazer para tornar possíveis operações combinadas e integradas além-fronteiras em todas as situações”, reconheceu.

Os cinco países nórdicos intensificaram a sua cooperação em matéria de defesa desde novembro do ano passado, quando assinaram uma carta de intenções sobre corredores de mobilidade militar harmonizados na região.

Relativamente à cooperação no domínio da defesa, os ministros nórdicos decidiram reforçar a capacidade industrial na produção de munições para aumentar a segurança do abastecimento, de acordo com o mesmo comunicado.

Pela primeira vez desde a criação da Nordefco em 2009, os chefes do Estado-Maior de todos os países nórdicos, com exceção da Islândia, que não tem exército, também estiveram presentes na reunião.

Na semana passada, o presidente do Comité Militar da NATO, o almirante italiano Giuseppe Cavo Dragone, classificou o Ártico como a “nova fronteira” entre os diferentes blocos geoestratégicos.

O responsável da Aliança Atlântica referiu na ocasião que se vê uma “presença cada vez maior da Rússia” 

“A Rússia está a construir uma infraestrutura na península de Kola [a norte, fronteiriça à Finlândia]. Há submarinos russos e aviões e bombardeiros a voar sobre o Ártico”, disse, acrescentando que também a China está a converter-se num aliado próximo de Moscovo.

O responsável militar máximo da NATO sublinhou que os aliados querem manter aquela zona desmilitarizada e como espaço de “intercâmbio”.

Há sete países membros da Aliança Atlântica com território no Ártico: Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia.

No verão, o bloco militar ocidental levou a cabo diversas operações e exercícios marítimos naquelas águas.

 

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