
Luanda, 07 nov 2025 (Lusa) — A empresária e ex-deputada do MPLA Tchizé dos Santos, filha do ex-Presidente angolano José Eduardo dos Santos, questionou a legitimidade do atual chefe de Estado, João Lourenço, para promover a reconciliação nacional, após a atribuição de uma medalha póstuma ao seu pai.
Num áudio divulgado nas redes sociais, Tchizé dos Santos questionou a autenticidade do gesto afirmando: “Mas quem perseguiu José Eduardo dos Santos tem legitimidade para fazer reconciliação em Angola? Quem perseguiu os seus próprios correligionários, os seus companheiros de partido, a quem chamou marimbondos tem legitimidade para liderar alguma reconciliação? E reconciliação com quem?”.
A antiga deputada acrescentou que nem Isabel dos Santos, nem o filho primogénito (José Filomeno dos Santos), nem ela própria foram contactados para a cerimónia: “A maior empresária do paÃs, que mais empregos deu no paÃs, não foi contactada. O filho primogénito não foi contactado. A filha polÃtica de José Eduardo dos Santos, eu, não fui contactada. Reconciliação com quem? Teatro. Pessoas que ninguém conhece de lado nenhum é que vão lá receber a medalha?”, criticou.
O ex-Presidente José Eduardo dos Santos, que liderou Angola entre 1979 e 2017, foi condecorado a tÃtulo póstumo com a Medalha da Classe de Honra, pelo seu “papel Ãmpar no alcance da paz e reconciliação nacional”, destacou João Lourenço na cerimónia que decorreu na quinta-feira.
Os filhos Danilo e Joseana dos Santos receberam a distinção em representação da famÃlia.
Tchizé dos Santos recordou, porém, o tratamento dado ao pai após a sua morte, em 2022, em Barcelona, considerando-o uma “humilhação” que exigiria um pedido de desculpas.
“Primeiro tem de pedir desculpas pela maneira como humilharam o nosso ex-comandante em chefe, herói nacional que comandou e venceu guerras e batalhas. Onde está o pedido de desculpas?”, questionou, lembrando que o caixão de José Eduardo dos Santos não veio de avião militar nem foi retirado por oficiais.
As declarações da filha do antigo Presidente surgem num contexto de tensões prolongadas entre parte da famÃlia dos Santos e o atual chefe de Estado, que assumiu o poder em 2017.
Apesar de ter sido escolhido como sucessor por José Eduardo dos Santos, o relacionamento entre João Lourenço e parte da famÃlia dos Santos deteriorou-se após a abertura de processos judiciais contra filhos do ex-chefe de Estado, primeiro José Filomeno “Zenu” dos Santos, já julgado, e depois Isabel dos Santos, devido à sua gestão na petrolÃfera estatal Sonangol, cujo julgamento ainda não começou.
Os filhos mais mediáticos do antigo chefe de Estado vivem fora de Angola há vários anos, mas têm criticado publicamente a governação de João Lourenço e a sua luta contra a corrupção, que dizem ser seletiva.
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RCR (NME) // JMC
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