PM moçambicana alerta que consumo de droga está a levar ao abandono escolar

Maputo, 31 out 2025 (Lusa) – A primeira-ministra moçambicana, Maria Benvinda Levi, admitiu hoje que o consumo e tráfico de droga é “um problema” no desenvolvimento de Moçambique, estando a provocar abandono escolar e a elevar os índices de violência e criminalidade.

“Em reconhecimento geral, o tráfico de drogas é um problema com várias ramificações que vão desde lavagem de dinheiro, corrupção, terrorismo e outros males que constituem ameaça não só à economia, saúde, mas também à segurança nacional e põe em causa todo o sistema financeiro e económico do país”, disse Maria Benvinda Levi, hoje, em Maputo.

A governante falava na abertura da II Sessão Ordinária do Conselho de Prevenção e Combate à Droga, órgão que reúne todas as instituições envolvidas no combate a droga no país para debater e desenhar estratégias para travar o seu consumo e acrescentou que o consumo de droga está a afetar maioritariamente jovens em Moçambique, com o “efeito perverso” de contribuir para os elevados de índices de desistência escolar.

“O índice de jovens que têm desistido da escola associado ao consumo de drogas é elevado, temos também o aumento da violência, não só a violência entre jovens mas também a doméstica, a criminalidade”, alertou a primeira-ministra, acrescentando que o seu consumo também contribui para o elevado índice de acidentes de viação.

Para Maria Benvinda Levi, Moçambique continua a ser “um veículo, um corredor no tráfico de drogas”, pedindo por isso estratégias para travar o seu consumo, por considerar que também contribui para o aumento de casos de VIH/Sida.

A II Sessão Ordinária do Conselho de Prevenção e Combate à Droga aprovou hoje o Plano Integrado para 2026 referente ao combate à droga, que visa melhorar a intervenção de diversos setores nos mecanismos para travar o consumo e produção de estupefacientes.

Em declarações aos jornalistas, o porta-voz do órgão disse que se está a avançar com a revisão da legislação para melhorar o combate ao consumo de drogas, incluindo uma auscultação pública em curso sobre a matéria.

“As drogas, muitas vezes, chegam às escolas de forma dissimulada em forma de rebuçados, pipocas e disfarçadas em lanches e bebidas que ao nível das escolas a maior preocupação é identificar as fontes, sensibilizar as pessoas que fazem a venda de lanches perto das escolas”, disse José Bambo, adiantando que estão a ser reativados os núcleos antidroga nas escolas.

Um total de 950 quilogramas de drogas foram apreendidas e 294 pessoas detidas no primeiro semestre de 2025 em Moçambique, indica-se no relatório sobre a situação do consumo e tráfico ilícitos de droga em Moçambique, elaborado pelo Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga (GCPCD), referente ao primeiro semestre, em que se aponta para o envolvimento de funcionários públicos em pontos de entrada dos estupefacientes.

 Moçambique registou mais de 10 mil casos de perturbações mentais associadas ao consumo de drogas e álcool no primeiro semestre de 2025, um aumento de mais de 9.000 mil casos comparado a 2024, segundo o mesmo documento.

Moçambique é apontado por várias organizações internacionais como um corredor de trânsito para o tráfico internacional de estupefacientes com destino à Europa e Estados Unidos, sobretudo de heroína oriunda da Ásia, mas as apreensões de cocaína oriunda da América do Sul têm também aumentado.

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