Mais de 3.000 em Moçambique sem emprego e indemnização um ano após protestos

Maputo, 28 out 2025 (Lusa) — Mais de 3.000 trabalhadores ainda não foram indemnizados e continuam desempregados, dos mais de 12 mil empregos perdidos nas manifestações pós-eleitorais que começaram em Moçambique há um ano, estimou hoje a central sindical moçambicana OTM.

“Desses mais de 12 mil, mais de 3.000 não foram ressarcidos, não foram indemnizados, mas é importante que se diga que mais de sete mil foram indemnizados e os outros aguardam pelos processos em tribunal ou negociação com o patronato”, disse à Lusa o secretário do Conselho Central para a Área das Relações Jurídicas Laborais da Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS) OTM-CS.

André Mandlate acrescentou que continua a ser frágil a situação do trabalhador moçambicano, um ano após o início de protestos, desde logo devido ao aumento dos preços dos produtos de primeira necessidade, aliado à baixa capacidade de compra, pedindo por isso melhorias das condições do trabalhador.

O responsável da OTM-CS lembrou que mais de 500 empresas foram vandalizadas durante as manifestações pós-eleitorais, que se iniciaram em 21 de outubro, em Maputo, dificultando por isso as negociações com o patronato para avançar com indemnizações, apesar de casos nos tribunais.

“Isto está a preocupar-nos, porque mesmo se houvesse como negociar, há algumas empresas em que a sua destruição terá feito desaparecer os proprietários, já não havendo com quem negociar. E a situação, grosso modo, terá contribuído para que muitos empregadores estrangeiros abandonassem o país ou tenham interrompido os investimentos”, lembrou André Mandlate.

A central sindical assume que continua a estar preocupada com o número de desempregos em consequência dos protestos pós-eleitorais.

“Mesmo aqueles que recuperaram os empregos, a qualidade desses empregos baixou muito, sendo que, neste momento, na sua maioria, é um trabalho precário” no que resulta “a violação da convenção internacional que preconiza o trabalho digno”, disse o responsável da OTM-CS.

Para o sindicato, a convulsão social “foi atípica” com números elevados de mortos e destruição de bens públicos, apontando para os impactos coletivos, com a falta de serviços sociais nas comunidades devido às infraestruturas que foram vandalizadas.

“É uma situação que não gostaríamos que o país voltasse a ter” e, por isso, apela-se “aos moçambicanos para que encontrem outros instrumentos de luta sem destruir as infraestruturas sociais bem como as empresas que ofereciam numerosos postos de trabalho”, concluiu o secretário do Conselho Central para a Área das Relações Jurídicas Laborais da OTM-CS.

A violência em Moçambique, eclodiu a partir de Maputo, em 21 de outubro de 2024, dois dias após o duplo homicídio do advogado Elvino Dias e de Paulo Guambe, apoiantes do candidato presidencial Venâncio Mondlane.

O Conselho Constitucional proclamou em 23 de dezembro, dois meses e meio após a votação, Daniel Chapo como vencedor da eleição presidencial, com 65,17% dos votos nas eleições gerais de 09 de outubro, seguindo-se Venâncio Mondlane, com 24%, mas que nunca reconheceu os resultados.

A plataforma eleitoral Decide, organização da sociedade civil que monitoriza os processos eleitorais avançou este mês, num balanço final, que a agitação social terá provocado 411 mortos e mais de 7.200 detidos.

Daniel Chapo e Venâncio Mondlane reuniram-se em Maputo, pela primeira vez desde as eleições, em 23 de março, e no dia seguinte o ex-candidato presidencial apelou ao cessar da violência, não se tendo registado casos de agitação social associados à contestação eleitoral desde então.

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