
Beira, Moçambique 23 set 2025 (Lusa) – As autoridades moçambicanas anunciaram hoje que estão a preparar um plano de emergência para fazer face à época chuvosa 2025/26, pedindo que as comunidades estejam atentas aos avisos emitidos sobre os ciclones.
“A partir de agora, nós estamos já a preparar o nosso plano de contingência que inicia no distrito, que é onde já estamos, que depois vai para a província”, disse Luísa Meque, presidente do Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD), durante o lançamento das simulações no bairro da Maraza, cidade da Beira, província de Sofala, no centro de Moçambique.
Esta instituição arrancou hoje, na cidade da Beira, com os exercícios de simulação de emergência para avaliar o grau de prontidão e capacidade de resposta face à ocorrência de eventos climáticos, quando se aproxima a época chuvosa 2025/26.
“A realização desta simulação, tem a ver também porque nesta zona onde nós estamos é uma zona de risco a cheias inundações”, lembrou Luísa Meque.
A responsável avançou que este exercício de simulação envolve bombeiros, serviços da saúde, defesa, agricultura e educação e o objetivo é avaliar o nível de prontidão para fazer face a eventos climáticos.
“Em função disto, nós estamos a preparar as comunidades para que estejam atentas sempre que ouvirem uma informação da eminência de um ciclone, eminência de umas chuvas, ventos fortes”, disse a presidente do INGD.
O Governo, adiantou ainda, prepara o estudo para avaliar quantas pessoas poderão ser afetadas durante a próxima época chuvosa naquela província do centro de Moçambique.
Luísa Meque pediu ações concretas dos comités locais de gestão e redução do risco de desastres, referindo que devem ser uma linha operativa do INGD na resposta a nível local, afirmando por isso, ser pertinente serem treinados e equipados continuamente para salvar vidas.
O Governo moçambicano estima necessidades de financiamento de 31,3 mil milhões de euros até 2030 para alcançar a resiliência climática, conforme a estratégia aprovada em 16 de setembro pelo Conselho de Ministros.
Em 12 de setembro, as autoridades moçambicanas alertaram para cheias de “grande magnitude” no país e inundações em pelo menos quatro milhões de hectares agrícolas durante a próxima época chuvosa, que se inicia em outubro em Moçambique.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre outubro e abril.
Só entre dezembro e março últimos, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024.
O ciclone Jude, o mais recente a afetar o país, fez pelo menos 43 mortos, dos quais 41 em Nampula, afetando ainda Tete, Manica e Zambézia, no centro, e Niassa e Cabo Delgado, no norte.
O número de ciclones que atingem o país “vem aumentando na última década”, bem como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em março.
Os eventos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique entre 2019 e 2023, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
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