
Nampula, Moçambique, 23 set 2025 (Lusa) – A Unicef estima que 56% das meninas na provÃncia de Nampula, norte de Moçambique, casam-se antes de atingir a juventude e 18% antes dos 15 anos, reiterando o apoio contra uniões forçadas na região.
De acordo com uma nota do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef), a que a Lusa teve hoje acesso, Moçambique tem “uma das taxas mais elevadas de uniões prematuras do mundo”, em que, globalmente, 48% das meninas casam-se antes dos 18 anos.
“Mas na provÃncia de Nampula, este número sobe para 56% e, surpreendentemente, 18% casam-se antes dos 15 anos”, refere-se.
Entre as meninas sem acesso à educação, a Unicef estima que 56% engravidam na adolescência e 64% das que apenas concluÃram o ensino básico casaram-se ainda crianças.
“A Unicef trabalha com parceiros para ajudar as meninas por trás destas estatÃsticas, investindo na sua educação, envolvendo os pais, lÃderes comunitários e as comunidades na proteção contra uniões forçadas e violência, e conectá-las a serviços que possam ajudar a mudar estes números”, acrescenta-se no documento.
Em agosto, as Nações Unidas apoiaram a atribuição de certidões de nascimento a mais de 16 mil pessoas afetadas pelos recentes ciclones na provÃncia de Nampula para acabar com as uniões prematuras na região.
“As certidões de nascimento desempenham um papel fundamental na proteção das crianças contra as uniões prematuras, providenciando uma prova legal da sua idade, e também no acesso a serviços básicos, como educação, cuidados de saúde e proteção social”, avançou-se numa nota da Unicef.
Moçambique regista a quarta maior taxa de natalidade na adolescência, em raparigas de 15 a 19 anos, em todo o mundo, segundo um relatório das Nações Unidas que antevê a duplicação da população moçambicana em 25 anos.
De acordo com o relatório “Situação da População Mundial 2025”, apresentando em Maputo, em julho, pelo Fundo das Nações Unidas para a População (FNUAP), a taxa de natalidade na adolescência, de 2001 a 2024, atingiu 158 em cada mil raparigas moçambicanas, apenas atrás da República Centro-Africana (184), da Guiné Equatorial (176) e de Angola (163).
Além disso, o FNUAP aponta o elevado Ãndice de uniões prematuras, que afetam quase metade das raparigas (48%) e que dão à luz pela primeira vez antes dos 18 anos.
LYCE (PVJ) // VM
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